Quase cinco anos depois de serem entregues, as moradias populares construídas nos bairros Anhumas 1 e 2, apresentam problemas estruturais graves, que estão deixando preocupados os moradores da região. Na maioria das casas construídas para as famílias que viviam na antiga favela da Rua Moscou, as rachaduras surgem diariamente e uma das casas foi parcialmente interditada pela Defesa Civil, porque o telhado em um dos quartos corre o risco de desabar. As rachaduras surgiram na área externa, entre as residências e também no interior, entre os cômodos. Atualmente, 185 famílias vivem no local. O representante da associação dos moradores dos bairros, Jair Perez Júnior, as famílias estão desesperadas porque nenhuma autoridade informa sobre os riscos e as medidas que devem ser tomadas. Jucélia Lourenço Silva mora com os cinco filhos em uma das casas mais comprometidas do conjunto. Um dos quarto da residência foi interditado pela Defesa Civil, porque corria o risco do telhado desabar. Segundo ela, o departamento orientou a retirada das crianças do cômodo. Elizângela Soares de Melo afirma que está preocupada com a situação, principalmente com o filho, que passa a maior parte do dia dentro de casa.
A reportagem entrou em contato com a construtora Encalso, mas ninguém atendeu as ligações. A diretoria técnica da COHAB-Campinas informou que apenas o projeto foi executado pela companhia, mas a responsabilidade pela fiscalização das obras é da Secretaria Municipal de Infraestrutura. A secretaria informou que já acionou a empresa Encalso. A construtora teria informado ao município que já enviou um perito em patologia estrutural para fazer uma análise e se ficar constatado que a empresa tem responsabilidade, arcará com as medidas necessárias. A secretaria de Infraestrutura informou ainda que mediante observação preliminar, ficou claro que a maioria, se não a totalidade, dos problemas acontece por causa de alterações irregulares nos imóveis, tipo “puxadinhos” e colocação de lajes, feitas pelos próprios moradores. Problema com o terreno também está descartado, pois as fundações são sólidas, com 10m de profundidade. Procurado, o Crea informou que compete ao Conselho fiscalizar as obras e verificar o cadastro dos profissionais que atuam nos empreendimentos.
