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Para zerar fila, Jaguariúna municipaliza atendimento de autismo e neurodivergências

Unidade assume serviços que antes eram contratados com clínicas particulares; conheça
Para zerar fila, Jaguariúna municipaliza atendimento de autismo e neurodivergências
Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas

Em 2022, o Censo do IBGE revelou pela primeira vez informações demográficas sobre o número de pessoas diagnosticadas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) no Brasil. Na época eles eram mais de 2,4 milhões de pessoas. 

Uma das fases mais críticas para essa comunidade é a infância, que compreende o processo de formação da personalidade. Segundo o Censo Escolar, o Brasil registrou mais de 918.000 matrículas de estudantes autistas para o ano letivo de 2024. 

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A confirmação de um diagnóstico de autismo demanda tempo e avaliação profissional. A Jéssica é mãe do Joaquim, de oito anos, que está há dois em investigação para a suspeita de TEA. 

Apesar das muitas dificuldades de interação, graças a um acompanhamento especializado, a rotina se tornou um pouco mais fácil. 

“Na escola ele tinha muita dificuldade, mas com as terapias ele avançou muito. Ele não tinha amiguinhos, mas ele começou a interagir, foi uma boa ação. Era só ele no mundinho dele, em casa também. Agora ele interage melhor, ele brinca, se expressa mais. Porém ele é explosivo, então estamos trabalhando nessa parte também”, conta.

Já a Jociara é mãe do Lucca, de cinco anos, e do Mateus, de 10 anos, ambos diagnosticados com o grau de suporte 2 do autismo. 

“O primeiro desafio era você conseguir a vaga. É uma fila muito extensa que durou anos. O meu mais velho ficou dois anos na fila e o de cinco anos ficou um ano e oito meses. Nisso, querendo ou não, tem um atraso de tratamento. Mas hoje em dia o mais desafiador é você manter os tratamentos, fazer eles focarem. É uma evolução diária, porque não é só a clínica e o tratamento. Tem que ter a parte de casa também”, descreve.

E a adaptação das crianças com autismo às rotinas dos demais colegas é um grande desafio. 

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Novo centro de referência

Em Jaguariúna, um centro especializado que começou a funcionar nesta segunda (23) promete fazer o acompanhamento multidisciplinar dos pacientes, com um envolvimento maior das famílias. 

A diretora de departamento de Saúde e Educação Especial, Maristela Chiavegato, destaca que o local conta com uma equipe de profissionais de diferentes áreas, pronta para atender até 500 pacientes. 

Apesar de o time hoje estar completo, Maristela afirma que há escassez de profissionais de neurologia e terapia ocupacional aptos a trabalhar em locais como este. 

“A gente veio fazendo toda uma organização desses profissionais e atendimentos, seleção de currículos, desde abril de 2025. A gente vem em busca desses profissionais há quase um ano. Hoje, a gente tem o quadro completo de profissionais, mas não deixa de ser uma dificuldade”, avalia.

O centro de referência do autismo foi montado em sete meses, em parceria com empresas que doaram equipamentos para a montagem de 34 salas de atendimento, algumas delas com dispositivos de experiência sensorial iguais aos das clínicas particulares. 

A secretária de Saúde de Jaguariúna, Maria da Conceição de Oliveira Camilo, afirma que a estrutura contempla todo o processo de acompanhamento, do diagnóstico ao processo educativo em direção à alta dos pacientes. 

“Para que a escola, a família e o Centro possam cuidar dessa criança neurodivergente da melhor forma possível. Que todo mundo saiba o que fazer na hora que ela ‘desregula’. Que todo mundo saiba entender o porquê ela tem restrição alimentar. Que possa respeitar as especificidades dela”, diz.

Ainda segundo a Prefeitura de Jaguariúna, o custo de operação do novo Centro de Referência é menor do que o valor que era pago para a compra de vagas em clínicas particulares. 

Bom para o Joaquim, de oito anos, que não esconde a alegria em ter descoberto uma nova forma de fazer amigos. 

“Eu gosto muito de brincar, ainda mais porque você pode fazer um monte de coisa. E quanto mais você brinca, mais amigos você pode conhecer. Já tenho amigo que era de outras terapias”, conta.

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