Atualmente, as estradas são a principal forma de escoar a produção dos cinturões agrícolas para os grandes centros urbanos, como a região de Campinas.
Mas essa alta dependência do modelo rodoviário no Brasil pode acelerar os efeitos da alta dos alimentos durante a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos.
O conflito, que começou no dia 28 de fevereiro, já provocou um aumento de cerca de 30% na cotação do barril de petróleo Brent, considerado de referência para os preços internacionais.
O professor de Economia da PUC-Campinas, Eli Borochovicius, explica que, se o petróleo fica mais caro, o preço do diesel, principal combustível usado pelos caminhões, também sobe.
“É esperado que uma alta no preço do combustível em função dessas tensões no Irã acabe afetando, também, o preço dos fretes. E nesse caso, fica difícil imaginar que os preços dos alimentos, por exemplo, não devam sofrer uma alta. Então existe uma possibilidade, imagino eu, que bastante provável de a gente começar a sentir já nos supermercados uma alta de preços dos alimentos”, analisa.
O especialista explica que embora o Brasil seja um grande extrator de petróleo, também depende de importações para suprir a demanda interna da commodity.
“No Brasil, o anúncio é de que o abastecimento não deve ser afetado e a Petrobras afirmou que deve evitar o repasse de volatilidade de preços, ainda que estejam observando a paridade internacional. Mas como 25% do mercado é suprido por produto importado, eventualmente até por refinarias que negociam a preços internacionais, é inevitável que, por aqui, o preço sofra alguma alteração”, explicou.
O professor de Economia da PUC-Campinas também avalia as medidas adotadas por outras grandes potências do mundo, mas ressalta que somente o fim da guerra e a estabilização da cadeia de distribuição do petróleo podem devolver a normalidade de preços.
“A gente pega, por exemplo, a Índia que está autorizada pelos Estados Unidos a comprar [petróleo] da Rússia. E lá nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina chegou a atingir o valor mais alto dos últimos 12 meses. É certo que os países têm reservas, mas elas não são suficientes no longo prazo”, observou o economista.
O Estreito de Ormuz, no Irã, é ponto de passagem de 20% do petróleo global, e continua fechado pela Guarda Revolucionária do país. O grupo ameaça incendiar as embarcações que tentarem infringir a determinação.
Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), 20 mil tripulantes estão a bordo de navios petroleiros, no Golfo Pérsico, à espera da resolução do conflito.