Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pelo Unicef Brasil mostram que o estado de São Paulo tem um dos menores percentuais de adesão dos jovens de até 17 anos ao título de eleitor.
Apenas 11,7% desse grupo já possui o documento que permite escolher candidatos nas eleições. Em Campinas, apenas 3.009 jovens dos 15 aos 17 anos possuem o documento.
Segundo a Constituição Federal, o voto é facultativo para quem tem 16 e 17 anos, e obrigatório apenas a partir dos 18. Um cenário que é estimulado pela flexibilidade e por um certo desinteresse entre muitos jovens.
“Eu vi em cima da hora, e quando vi, tirar o online já não dava mais. Tenho que ir presencialmente, mas por conta da escola, eu não tenho tempo. Se eu não conseguir, não vou acabar tirando”, argumenta um estudante.
“Minha mãe sempre me deixou muito livre sobre isso. Ela nunca fez muita questão de eu tirar”, afirma outro.
Mas não se engane. Também há uma comunidade amplamente interessada em votar.
“Eu me sinto fazendo parte da sociedade com o poder de eleger. É o nosso futuro, então a gente precisa fazer parte disso”, declarou uma jovem.
“Eu quero poder dar minha opinião nas urnas, usar o meu direito. Eu acho que é totalmente necessário, ainda mais para nós, jovens, para contribuir com o nosso país”, defendeu outro estudante.
Compreender por que o grau de interesse varia tanto entre os eleitores jovens ainda é um desafio, mas para o especialista em Relações Governamentais, Rafael Bressane, a política ainda pensa pouco em ações para verdadeiramente engajar os jovens.
“Eu acho que parte desde o jovem ler, estudar, pesquisar, ir na página e ver não só o que o político está fazendo de fato. Se você pegar, por exemplo, só o que tem de pessoas jovens que ainda não são obrigadas a votar, com a possibilidade de votar eles conseguem eleger deputados, mudar cenários para senador, mudar resultados até para a Presidência”, analisa.
Para a oficial em Desenvolvimento e Participação de Adolescentes do Unicef Brasil, Gabriela Mora, a geração mais jovem tende a responder mais às mobilizações, mas é preciso facilitar o processo de entrega da informação até eles.
“E oferecer informação sobre como participar. Sobre a importância do voto. Para que os adolescentes consigam, de fato, tirar o título e participar de um processo que tem a ver com as decisões relacionadas ao país”, orientou.
A solicitação do título deve ser feita em um cartório eleitoral. É obrigatório apresentar documento de identificação com foto e um comprovante de residência recente em seu nome ou da pessoa com quem ela mora. Os homens que completam 19 anos em 2026 também precisam apresentar a reservista.
Em São Paulo, o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral) orienta que os atendimentos devem ser agendados antes da ida ao cartório. Outras informações estão no www.tre-sp.jus.br.
Com informações da EPTV Campinas