O mau cheiro da água nas torneiras de moradores de Paulínia, Hortolândia, Limeira e Monte Mor avança pelo quinto dia.
O problema ocorre desde o feriado de Tiradentes, quando as primeiras queixas começaram a ser feitas junto à Sabesp.
O assunto foi discutido na reunião do Parlamento da RMC, nesta sexta-feira (24), em Paulínia.
O secretário-executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, explicou que o início da estiagem e a diminuição da vazão dos rios pode explicar a concentração de poluentes na água que provocariam o mau cheiro.
“O que nós temos em todo o Brasil e em nossa região, por ser altamente industrializada e com uma agricultura intensiva, são as cargas difusas. Então, de repente, um lançamento equivocado ou uma consequência de uma eventual chuva que carrega partículas de uma zona rural já provoca odores e outras situações desagradáveis para a sociedade. Mas o mais importante é que as companhias de saneamento, e a Sabesp, estão conscientes dessa situação. Elas sabem que estão atuando em uma região de estresse hídrico crônico e que esses fenômenos se repetem todos os anos. Elas estão atentas, e se eventualmente ocorrem odores, eles vão tomar providências”, comentou.
Sabesp investiga
Na terça-feira (21), por meio de nota, a Sabesp reconheceu e se desculpou pelo problema.
A empresa afirma que uma equipe técnica continua avaliando as causas, mas garante que a água continua potável, e que as variações são possíveis devido às características dos mananciais.
Equipes da empresa também têm trabalhado na coleta de novas amostras, que somam cerca de 170 mil análises mensais, seguindo o que preconiza o Ministério da Saúde.
A Sabesp também orienta que seja feita a limpeza preventiva de caixas d’água a cada seis meses.
Limeira: BRK amplia ações
No caso de Limeira, a concessionária BRK, que divide as operações com a Sabesp, anunciou hoje uma ampliação da coleta de amostras para análises detalhadas.
As equipes trabalham em um laboratório móvel da própria BRK, em parceria com um laboratório terceirizado contratado pela agência Ares PCJ.
Desde quarta-feira, quatro bairros de Limeira já foram atendidos: Vitório Lucato, Nossa Senhora das Dores e Jardim Santa Adélia. Em todos eles, os resultados preliminares indicaram água dentro dos padrões exigidos pela legislação.
Eventual contaminação externa
Em nota, a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) informou ter enviado, nesta sexta-feira (24), uma equipe de fiscalização para verificar as condições da prestação do serviço e a qualidade da água fornecida em Limeira, Paulínia, Hortolândia e Monte Mor.
A agência afirmou que, depois da vistoria, vai elaborar um relatório técnico com as conclusões da análise. Se alguma irregularidade for identificada, vai adotar as medidas regulatórias cabíveis.
Também por meio de nota, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) afirmou ter recebido uma dneúncia de despejo irregular em um trecho do Rio Jaguari. No entanto, depois de uma vistoria técnica, não foram constatadas fontes de poluição no local.
Nós também questionamos a Sabesp para saber se os moradores têm direito à isenção de água no período de ocorrência do problema, mas não recebemos uma resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto à manifestação.
Reportagem atualizada em 24.abr.2026 às 19h44 para a inclusão da nota de posicionamento enviada pela Arsesp; e às 21h44 para incluir a nota enviada pela Cetesb.
