Um ano depois do início da operação com 100% da capacidade e da estrutura do sistema, usuários do BRT de Campinas apontam problemas como o descumprimento de horários, carros lotados e falhas de zeladoria no entorno das estações no sistema. Leia as respostas da autarquia no final desta reportagem.
Segundo a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), mais de 73 mil pessoas em média, por dia, utilizam as sete linhas que atendem os corredores Campo Grande e Ouro Verde.
No Jardim Miranda, um dos pontos do Corredor Perimetral, encontramos a atendente Daniela, que conta usar o sistema para levar e buscar a filha até a creche. Mas a viagem nem sempre é fácil, já que nos horários de pico, precisa disputar espaço nos veículos para chegar ao destino.
O problema seria causado pelo fato de o intervalo entre os ônibus nem sempre ser o da tabela horária, e com isso, os veículos saem mais lotados.
“Tem situação em que você não consegue nem entrar. Acabei de deixar a minha menina na escola, mas normalmente eu vou com ela e minha preocupação é ela passar mal lá dentro porque ela fica tão encolhidinha. Eu falo assim: ‘filha, fica com a cabeça para cima para você respirar'”, conta.
A cuidadora de idosos Tainá também observa que, nem sempre, os ônibus da linha BRT 12 cumprem com a tabela horária. Para ela, as estações poderiam contar com postos de recarga antes das catracas.
“Você aperta a campainha para ver se elas [as fiscais] podem liberar para poder ir até o Centro, mas elas não deixam, o que eu acho errado. Se você não tem como recarregar o seu passe no bairro, eles deveriam autorizar pelo menos para você ir até o Centro recarregar. Eu já tive muito problema com isso”, cobra.
Outras estações também apresentam problemas mais graves. Na quarta-feira (22), o mato alto tomava conta do entorno da estação Vila Teixeira, que também sofria com pisos táteis quebrados e portas automáticas defeituosas.
“É muito mato, que está maior do que eu. Eu tenho 1,49 e o mato está com mais de dois metros. Às vezes, a turma rouba alguma coisa, derruba no chão, pega o dinheiro, a bolsa das pessoas”, cobra uma passageira.
“Geralmente as portas demoram para abrir. A maioria dos motoristas não pára e os passageiros dão sinal também, e aí por conta das portas que não abrem, eles acabam indo embora e nem pessoas descem, nem sobem”, conta outra passageira.
“Como eu trabalho aqui pertinho, eu fico [na estação] no máximo 10 ou 15 minutos. Mas e essas pessoas que ficam mais de meia hora em pé? Elas chegam cansadas, pegam o ônibus de novo. É uma luta”, cobra outra passageira sobre a falta de bancos nas estações.

Segundo a Emdec, em 2025, 188 reclamações sobre o sistema BRT foram registradas. Índice igual ao de 2024, e um salto de 347% em relação a 2023, quando foram 42 queixas. Neste ano, até 15 de março, foram seis reclamações registradas na cidade.
Emdec responde
Em relação às queixas colhidas pela reportagem do Grupo EP, a Secretaria de Serviços Públicos disse realizar manutenções frequentes na roçagem de mato e limpeza do entorno das estações BRT.
Sobre os problemas de acessibilidade nas estações, a Emdec disse ter manutenções programadas para resolver os problemas nas estações, mas não deu prazo.
A autarquia também afirmou que o aumento no número de solicitaçõs é proporcional ao aumento da operação das linhas.
Sobre a falta de bancos nas estações, a Emdec afirmou que, muitas vezes, isso é causado por casos de vandalismo e de furto, como na Estação BRT Jardim Miranda.
Em relação às panes nas portas automáticas, a Emdec disse que, quando há situações pontuais de inoperância, as portas de emergência são acionadas, assim como as equipes de manutenção. Disse também que, em geral, os problemas são solucionados em 15 minutos.
Já em relação aos atrasos na circulação de veículos no Corredor Campo Grande, a Emdec reconheceu que a operação está comprometida com situações recorrentes de falta de veículos e que afetam o cumprimento das viagens previstas.
A autarquia declarou estar autuando os operadores, reforçando a fiscalização nas garagens e cobrando a manutenção preventiva dos veículos.
Especificamente sobre a linha BRT12, a Emdec afirmou que a frota da linha é de quatro veículos e intervalos de 18 minutos. Na BRT12, as operações são regulares e sofrem apenas com atrasos pontuais.
Sobre a recarga dos cartões, a Emdec declarou que a nova concessão do transporte coletivo deve ampliar as possibilidades de recarga em diferentes redes de comercialização, inclusive com facilidade no acesso a terminais e estações.
Declarou também que os terminais BRT contam com guichês de atendimento para recarga dos bilhetes. Em outras regiões, usuários podem usar pontos de venda na rede credenciada e meios eletrônicos para recarga, como o aplicativo da Transurc, inclusive com pagamento via PIX.
