O número de infrações de risco envolvendo motociclistas em Campinas acende um alerta para a segurança no trânsito. Dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) mostram que, em pouco mais de um ano, mais de 700 ocorrências foram registradas na cidade.
Entre as principais irregularidades está a falta de capacete. Em 2025, foram 342 autuações de motociclistas ou passageiros sem o equipamento. Em 2026, até março, já são 89 casos.
Outro destaque é a direção perigosa. No ano passado, a Emdec registrou 238 infrações por manobras como arrancadas bruscas, derrapagens e malabarismos. Empinar a moto lidera esse tipo de ocorrência, com 155 registros em 2025 e 22 neste ano.
Segundo a empresa, os números podem ser ainda maiores, já que muitas infrações dependem de flagrante. Em diversos casos, os veículos circulam sem placa ou com identificação adulterada, o que dificulta a fiscalização.
O impacto dessas condutas vai além das autuações. Entre 2021 e 2025, 19 mortes no trânsito em Campinas estiveram relacionadas a esse tipo de comportamento. A falta de capacete aparece como um dos principais fatores, associada a 12 dessas mortes.
O diretor de operações do Observatório Nacional de Segurança Viária, Ronaldo Cunha, alerta que os dados refletem comportamentos de risco no dia a dia.
“Quando a gente fala de mais de 700 infrações de risco envolvendo os motociclistas em pouco mais de um ano, não estamos falando apenas de números, estamos falando de comportamento que colocam vidas em risco todos os dias.”
Ele também destaca a gravidade da falta de capacete.
“A falta do capacete, por exemplo, é algo que não deveria nem mais entrar nas nossas estatísticas. Acaba sendo um item básico de proteção, e quando a gente vê que essa conduta ela está diretamente associada à maioria das mortes registradas em Campinas, fica claro que não é só um detalhe, uma questão de sobrevivência.”
Sobre as manobras perigosas, o especialista faz um alerta.
“Da mesma forma, a gente tem que a direção perigosa, especialmente essas práticas de empinar moto, que muitas vezes ela está ligada a uma falsa sensação de controle ou até do próprio exibicionismo, mas no trânsito a gente precisa reconhecer que qualquer erro é fatal.”
Ronaldo Cunha também ressalta que os números podem estar abaixo da realidade.
“Esses números eles ainda falam que ele pode de fato estar subnotificados, então a gente sabe que a situação real ela é ainda mais grave.”
Além do risco de acidentes, as penalidades são severas. A direção perigosa é infração gravíssima, com multa de R$ 2,9 mil, suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo. Em caso de reincidência, o valor pode dobrar.
O cenário reforça a necessidade de conscientização dos motociclistas para reduzir acidentes e salvar vidas no trânsito.