Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) acende um alerta importante sobre hábitos dentro de casa que podem colocar a saúde em risco. O estudo mostra que muitos casos de intoxicação alimentar estão ligados a erros simples no preparo, na higiene e no armazenamento de alimentos.
O levantamento analisou o comportamento de 5 mil lares brasileiros, a partir de 29 perguntas sobre práticas na cozinha. Os resultados indicam que uma parcela significativa da população ainda adota procedimentos inadequados, o que favorece a contaminação por microrganismos causadores de doenças.
De acordo com os pesquisadores, a maioria dos surtos de doenças transmitidas por alimentos ocorre dentro das próprias residências, e não em restaurantes ou estabelecimentos comerciais. Isso reforça a importância de cuidados básicos no dia a dia.
Entre os principais problemas identificados está a higienização incorreta de verduras e legumes. Apenas 38% dos brasileiros realizam o processo completo, que inclui lavagem em água corrente, imersão em solução com água sanitária por cerca de 15 minutos e enxágue final.
Outro ponto de atenção é o consumo de ovos crus ou mal passados, prática ainda adotada por 17% da população. O risco está na possível presença de bactérias como a salmonella, que não altera o sabor, o cheiro ou a aparência do alimento.
A pesquisa também aponta que 24% dos brasileiros consomem carne mal passada e que 39% ainda descongelam alimentos fora da geladeira, o que favorece a multiplicação de bactérias.
Um hábito bastante comum, mas que deve ser evitado, é lavar carnes cruas, como frango, antes do preparo. Apesar de parecer uma medida de higiene, essa prática pode espalhar microrganismos pela pia, utensílios e outros alimentos, aumentando o risco de contaminação cruzada.
Outro cuidado importante está no uso de utensílios. Utilizar a mesma tábua ou faca para cortar carne crua e depois alimentos prontos para consumo, sem a higienização adequada, também pode provocar contaminação. Tábuas de madeira, por exemplo, são mais difíceis de limpar por acumularem umidade e resíduos em pequenas fissuras.
Especialistas recomendam medidas simples para reduzir os riscos, como cozinhar bem carnes e ovos, higienizar corretamente verduras, evitar lavar proteínas cruas e manter a organização e limpeza dos utensílios e superfícies.
Os sintomas de intoxicação alimentar incluem vômito, diarreia e mal-estar. Em casos mais graves, especialmente entre crianças e idosos, pode haver complicações que exigem atendimento médico.
A orientação é redobrar a atenção no preparo dos alimentos, já que pequenas mudanças de hábito podem fazer grande diferença na prevenção de doenças.
