A Justiça de Campinas aceitou a ação de improbidade administrativa que investiga um suposto favorecimento de pacientes de uma clínica particular na fila de cirurgias bariátricas do Hospital de Clínicas da Unicamp (HC). Com a decisão, os investigados passam à condição de réus no processo.
A medida é do juiz Cláudio Campos da Silva, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, que entendeu haver indícios mínimos para o prosseguimento da ação movida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
São réus no processo o médico Elinton Adami Chaim, Felipe David Mendonça Chaim e a empresa CHM Serviços Médicos.
Segundo o MP, há suspeita de que pacientes de uma clínica particular teriam sido favorecidos no acesso às cirurgias bariátricas realizadas pelo HC da Unicamp, o que pode configurar violação a princípios da administração pública, como legalidade, honestidade e imparcialidade.
O que é ação de improbidade administrativa
A ação de improbidade administrativa é um instrumento jurídico utilizado para apurar condutas irregulares envolvendo agentes públicos ou terceiros que se relacionam com o poder público. Entre as irregularidades possíveis estão favorecimento indevido, fraudes e desrespeito às regras da administração.
Em caso de condenação, as penalidades podem incluir perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e pagamento de multa, entre outras sanções.
Decisão judicial
Ao analisar o caso, o juiz levou em consideração documentos apresentados pelo Ministério Público, como contratos firmados com o município de Indaiatuba e informações sobre o fluxo de encaminhamento de pacientes.
Apesar de aceitar a ação, o magistrado negou, neste momento, os pedidos liminares do MP, como o bloqueio de bens dos investigados e o afastamento de agentes públicos.
Sobre o bloqueio de bens, o juiz destacou que, após alterações na Lei de Improbidade Administrativa, é necessário comprovar risco concreto de dano, como ocultação ou dilapidação de patrimônio — o que não foi demonstrado até agora.
Já em relação ao afastamento dos cargos, ele avaliou que a medida é excepcional e que não há risco imediato à investigação, especialmente porque a própria Unicamp já concluiu apuração interna com coleta de provas e depoimentos.
O magistrado ressaltou ainda que essas medidas podem ser reavaliadas ao longo do processo, caso surjam novos elementos ou após a apresentação das defesas.
Agora, os réus têm prazo de 30 dias para apresentar contestação. A Unicamp e a Prefeitura de Indaiatuba também foram notificadas e podem ingressar formalmente na ação.
Apuração interna da Unicamp
Em nota enviada no dia 27 de março de 2026, a Unicamp informou que instaurou dois Processos Administrativos Disciplinares (PADs), um envolvendo o professor Elinton Adami Chaim e outro o servidor Felipe David Mendonça Chaim.
De acordo com a universidade, ambos os processos foram concluídos.
No caso do docente, a decisão foi pela absolvição. Já no caso do servidor, foi aplicada a penalidade de suspensão por 10 dias.
A instituição ressaltou que os procedimentos seguiram os trâmites institucionais, com garantia de ampla defesa e do contraditório.
O Hospital de Clínicas da Unicamp foi procurado pela reportagem, mas não retornou até a publicação desta matéria.
Posicionamento de Indaiatuba
A Secretaria de Saúde de Indaiatuba declarou que não mantém mais contrato com a empresa citada e que, durante o período de vigência do vínculo, não identificou irregularidades.
Defesa dos citados
A reportagem também procurou as defesas dos citados, mas não houve manifestação até o momento.
O espaço segue aberto para posicionamentos.
