O mercado imobiliário de Campinas voltou a crescer em fevereiro, após um início de ano marcado pela desaceleração. Dados do setor apontam aumento tanto nas vendas quanto nos contratos de locação, indicando retomada da confiança e aquecimento gradual da economia local.
De acordo com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), o resultado positivo já era esperado, após um janeiro tradicionalmente mais fraco para o setor.
Segundo o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto:
“Naquele mês de janeiro, nós tivemos um resultado negativo, mais próprio da época de entressafra do mercado imobiliário, que pelas características de fim de ano, festas, férias e depois despesas de encarar um novo ano, normalmente deixam as pessoas desanimadas nas transações imobiliárias. E agora, o mês de fevereiro já mostra essa recuperação que também era esperado.”
Perfil das vendas chama atenção
O levantamento mostra que quase 68% das negociações envolvem imóveis de até R$ 500 mil. Ainda assim, o volume de vendas acima desse valor surpreendeu especialistas, indicando a presença de compradores com maior poder aquisitivo.
“E acima de R$ 500 mil também me chamou a atenção, porque isso daí é um público que não depende de financiamento, já é um público de alto poder aquisitivo e nós tivemos aí 31,9 por cento que demonstra a capacidade né a força econômica da região”, afirmou Viana.
O cenário reforça o potencial da região de Campinas para investimentos em imóveis de médio e alto padrão.
Aluguel em alta e pressão no orçamento
No mercado de locação, os dados mostram que quase metade dos contratos firmados está acima de R$ 2 mil. Ao mesmo tempo, cresce o número de inquilinos que migram para imóveis mais baratos, reflexo da pressão no orçamento.
Para o presidente do Creci-SP, a alta dos preços está diretamente ligada à falta de oferta.
“Enquanto nós não tivermos alguma solução para que investidores profissionais venham para o mercado de locação residencial nós vamos continuar com falta de imóveis para alugar o que faz uma pressão para que o preço suba.”
Ele defende políticas públicas voltadas também ao setor de locação, nos moldes de programas habitacionais já existentes.
Seguro fiança ganha espaço
Outro destaque é a mudança nas garantias locatícias. O seguro fiança vem substituindo o fiador, principalmente nas grandes cidades, apesar do custo elevado.
“O seguro fiança ele tem se destacado como uma modalidade muito usada, porque muitos proprietários também só aceitam alugar se tiver o seguro fiança, não aceitam outra modalidade. E é ruim, porque é muito caro.”
Alternativas como título de capitalização e depósito caução também seguem presentes, mas com menor adesão.
Financiamento lidera, mas consórcio surpreende
O financiamento bancário continua sendo a principal forma de aquisição de imóveis, responsável por 51,3% das transações.
No entanto, o levantamento trouxe um dado fora da curva: o crescimento expressivo do consórcio, que atingiu 18% das negociações.
“Me chamou a atenção que tivemos 18% de negócios realizados através de cotas de consórcio. Para mim foi uma surpresa muito grande, porque normalmente representa no máximo 1,5%.”
Segundo Viana, esse aumento pode estar relacionado à comercialização de cotas já contempladas, muitas vezes adquiridas por pessoas que inicialmente não conseguiram utilizar o crédito.
Expectativa para os próximos meses
A projeção do setor é de crescimento ao longo de 2026, principalmente se houver redução nas taxas de juros, o que pode ampliar o acesso ao crédito e impulsionar ainda mais as vendas.
O cenário reforça o papel de Campinas como um dos principais polos imobiliários do interior paulista, com demanda diversificada e forte atratividade econômica.

