Um estudo internacional apontou que a covid longa está associada a mais de 200 sintomas, entre eles fadiga e falta de ar, com destaque para alterações neuropsiquiátricas, como disfunção cognitiva, distúrbios do sono, depressão e perda de memória. Uma neurologista e professora da Unicamp foi a única brasileira a integrar a pesquisa.
O professor universitário Cláudio Romanelli testou positivo para o coronavírus no início de 2020, quando a pandemia ainda era recente. No caso dele, chamou a atenção a ausência de sintomas respiratórios.
Naquele período, a doença provocou complicações nos rins e no coração. Com o passar do tempo, surgiram alterações na pressão arterial e no sistema nervoso. Ele passou a utilizar diversos medicamentos e segue em tratamento para distúrbios do sono e outras condições neurológicas. O docente foi diagnosticado com covid longa, condição observada em pacientes desde o auge da pandemia. No caso de Cláudio, houve comprometimento de áreas cerebrais.
Casos como o dele começaram a ser investigados em diferentes países ainda em 2020. Médicos e especialistas analisaram pacientes e divulgaram os resultados em estudos científicos. Agora, uma pesquisa internacional contribui para ampliar o entendimento sobre os efeitos neurológicos e psicológicos da covid prolongada. Única brasileira no estudo, a neurologista e professora da Unicamp, Clarissa Yasuda, afirma que sintomas ligados ao sistema nervoso e à saúde mental podem surgir mesmo em pessoas que não tiveram quadros graves da doença.
De acordo com o estudo, a covid longa pode reativar vírus como o da herpes e estar associada a doenças autoimunes, intestinais e que afetam o sistema nervoso.
Os sintomas persistentes impactam diretamente a rotina dos pacientes, prejudicando funções como o raciocínio e a execução de tarefas no trabalho. Entre crianças e adolescentes, a condição pode afetar o convívio social e o aprendizado. Pesquisadores destacam que a principal forma de prevenção é evitar a infecção pelo coronavírus e que o diagnóstico ainda é clínico, feito com base na avaliação médica, já que não há exames específicos.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil registrou cerca de 13,8 milhões de casos de condições pós-covid em 2023. A pesquisa internacional também avaliou os impactos da doença na qualidade de vida dos pacientes e na economia global. Especialistas ressaltam que ainda são necessários avanços científicos para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e, futuramente, uma possível cura para a covid longa.
- com informações EPTV Campinas