O Governo Federal anunciou nesta quarta-feira (13) o fim da chamada “taxa das blusinhas”, imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$50 feitas em sites do exterior.
A medida já está em vigor e promete aliviar o bolso do consumidor, mas gera preocupação entre representantes da indústria nacional, principalmente no setor têxtil da região de Americana.
A taxação estava valendo desde agosto de 2024 e afeta principalmente sobre compras realizadas em plataformas estrangeiras, especialmente da China. Com a suspensão do imposto, produtos importados ficam mais baratos para os consumidores brasileiros.
Quem comemorou a mudança foi a designer de materiais esportivos Júlia Pina Gonçalves, que costuma fazer compras em sites internacionais e acredita que os preços agora ficam mais acessíveis.
Por outro lado, empresários do setor têxtil avaliam que a decisão aumenta a concorrência com produtos estrangeiros e pode prejudicar a indústria nacional. Em Americana, representantes do segmento afirmam que a medida favorece mercadorias importadas da China e da Índia, consideradas mais baratas que os produtos fabricados no Brasil.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Americana e Região (Sinditec), Edison Botasso, a suspensão da taxa pode provocar impacto negativo no setor e até gerar desemprego.
Além de Americana, o Sinditec representa indústrias de Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa e Sumaré. Juntas com Hortolândia, as cidades formam a Região do Polo Têxtil, considerada a maior do Brasil e uma das maiores da América Latina, responsável por 85% da produção nacional de tecidos planos de fibras artificiais e sintéticas.
O economista Caio Katayama também avalia que a medida pode trazer prejuízos para a indústria brasileira.
Na prática, uma compra internacional de US$50, que antes custava cerca de R$354 com a cobrança do imposto e do ICMS, agora deve sair por aproximadamente R$295. A economia para o consumidor pode chegar a quase R$60.
Mesmo assim, especialistas alertam que o ICMS estadual continua sendo cobrado sobre os produtos importados. Por isso, a orientação é que o consumidor compare preços e avalie se a compra internacional realmente vale a pena.
