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À espera da nova licitação, problemas na operação dos ônibus se repetem em Campinas

Empresas apontam problemas viários, enquanto são autuadas pela Emdec
CAMPINAS
Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas

Enquanto a licitação do transporte coletivo não é concluída, o passageiro de ônibus de Campinas continua enfrentando velhos problemas.

O atleta paralímpico Mateus Silva é cadeirante, e reclama das condições dos veículos nas linhas 212, 213 e 214, nas regiões do Campo Grande e do Campo Belo.

“Qualquer tipo de elevador que a gente precisa usar, toda vez tá quebrado. Tem que ficar saindo da cadeira, esperando o próximo, e a gente acaba chegando atrasado no compromisso”, conta.

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Os atrasos e lotações também figuram entre as queixas mais comuns, como para a cuidadora de idosos Marta Alves, que pega as linhas 369 e 375, e para a auxiliar de limpeza Iracema Barbosa, que depende da linha 171.

“Os ônibus atrasam. Quando vêm, vem lotado. Esse horário [das 09h00] está melhorzinho, mas aí também atrasa mais do que o normal”, conta Marta.

“Eu pego o 171 e, Nossa Senhora… Se eu perder ele, às 07h30, depois só às 08h40”, reclama Iracema.

Nesta quinta-feira (18), dois veículos que operam a linha 131 apresentaram problemas. Um na Avenida Ruy Rodriguez e outro na Avenida Anchieta. Ambos por problemas de arrefecimento.

Aplicação de multas

A Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) contabilizou 1,7 milhão de ações de fiscalização do transporte coletivo de janeiro a maio deste ano.

Os trabalhos consideram o acompanhamento permanente da operação nos terminais, pontos, corredores e garagens.

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Entre os problemas mais comuns estão o descumprimento de partidas, a falta de veículos e os atrasos.

Nesse período, de janeiro a maio, foram mais de 25 mil multas emitidas pela autarquia, um crescimento de 47% em relação ao ano passado, quando foram cerca de 17 mil autuações. O montante corresponde a cerca de R$ 13 milhões e R$ 9,5 milhões já foram descontados dos operadores.

Ao longo de todo o ano passado, foram 39 mil penalidades, que somaram R$ 19,5 milhões. Deste total, R$ 15,9 milhões já foram pagos ou descontados dos operadores.

O montante não entra diretamente nos cofres da Prefeitura, uma vez que a maior parte é descontado do subsídio que a Emdec paga às empresas. O recebimento dos valores também é gradativo.

Como melhorar?

Para o especialista em Mobilidade Urbana, Luiz Vicente de Mello, o ponto mais importante para resolver os problemas do transporte é a renovação da frota.

“Esse atraso na renovação da frota reflete exatamente nesse ponto: o número de quebras que acaba ocorrendo. Quando você tem uma frota mais antiga, você tem que fazer uma manutenção mais frequente. Se você reduz o repasse dos valores mensalmente do subsídio, isso agrava cada vez mais. É como se fosse um ciclo vicioso”, avalia.

Mello também defende os investimentos na integração dos modais.

“Você também precisa ter essa distribuição por outros meios de transporte, que também possam fazer essa integração com o transporte público. Principalmente ciclovias, ciclofaixas e a parte relacionada aos bicicletários, que é o ponto-chave para a interligação entre o transporte público e a mobilidade ativa”, opina.

Multas são convertidas em melhorias

Segundo a Emdec, os valores arrecadados com as multas são usados para qualificar a mobilidade urbana, em áreas como a Educação de Trânsito, que faz campanhas educativas por uma cultura de paz no trânsito.

Na Segurança Viária, os valores são aplicados no reforço da sinalização de solo, em obras de geometria, compra de placas, construção de rampas, instalação de pisos podotáteis e na implantação de novos semáforos.

Para coibir ações de risco, a autarquia também diz investir na compra e remanejamento de fiscalização eletrônica e de videomonitoramento, além da manutenção e ampliação das vagas de Zona Azul Digital.

No planejamento, atua na elaboração de projetos para ciclovias e ações de Urbanismo Tático.

Posição da Emdec

Em relação às reclamações apontadas por passageiros no início da reportagem, a Emdec enviou a seguinte nota:

Todas as situações mencionadas estão atreladas à idade média da frota atual. E são fiscalizadas e autuadas pela Emdec. Em 2026, foram mais de 25 mil autuações aos operadores por descumprimento de partidas, falta de veículos, atrasos. Desse total, 22 mil multas estavam relacionadas ao descumprimento das partidas programadas, seja por quebra ou falta de veículos nas linhas. A total modernização dos ônibus do sistema será realizada após a conclusão do processo de licitação, que atualmente está suspenso pelos órgãos de controle.

Vale reforçar que, mesmo antes de finalizar a licitação, a Administração municipal promoveu, em conjunto com os operadores, medidas de renovação de parte da frota atual. Entre 2021 e 2025, foram incorporados 267 ônibus novos ou seminovos, 110 deles no último ano. Outros dez veículos no total estão previstos para este ano, com investimento dos atuais operadores.

Sobre a queixa que envolve o funcionamento dos elevadores, a Emdec vai intensificar a fiscalização nas linhas do eixo Campo Grande mencionadas. Mas, para uma verificação mais precisa, é necessário que o usuário informe a data, horário e prefixo da linha onde as falhas foram presenciadas. Os canais da Emdec para reportar ocorrências envolvendo o transporte são o telefone 118 e o WhatsApp (19 3731-2910).

A EMDEC também informou o número de multas aplicadas às linhas reclamadas, de janeiro a abril deste ano:

212 – 105 autuações

213 – 187 autuações

214 – 261 autuações

171 – 228 autuações

375 – 5 autuações

Sobre o problema registrado nesta quinta-feira (18) na Avenida Ruy Rodriguez, a Emdec explicou que alguns passageiros preferiram aguardar outro veículo na própria via. Depois, o motorista conseguiu levar o ônibus até o terminal, e o veículo foi tirado da operação.

Já sobre o problema registrado na Avenida Anchieta, a Emdec afirmou que os passageiros foram transferidos. A Emdec garante que esse tipo de situação gera multa ao operador, como nas 25 mil autuações emitidas de janeiro a maio por descumprimento de partidas, falta de veículos e atrasos.

Posição do SETCAMP

Em relação ao problema registrado na Avenida Ruy Rodriguez na manhã desta quinta-feira (18), o SETCAMP (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas) informou que o veículo foi substituído e que a operação seguiu normalmente.

Sobre as outras reclamações, nós conversamos com Paulo Barddal, diretor de Comunicação e Marketing da entidade.

Ele afirma que as empresas seguem, rigorosamente, o cronograma de manutenção, mas pontua que não é possível controlar a influência dos fatores externos, como a qualidade do viário, que impacta na prestação do serviço.

“Tudo é parametrado, porém uma peça é para durar 30 mil quilômetros e dura 15 mil quilômetros. A outra é para durar 120 mil quilômetros e dura 59 mil quilômetros. Isso atrapalha até no acompanhamento da manutenção. Tudo isso influencia na questão de manutenção e na questão da qualidade da prestação de serviço”, explicou.

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