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Casos de estelionato praticamente dobram em cinco anos em SP

Especialistas alertam que aposentados são vítimas preferenciais dos criminosos
estelionato
Foto: Reprodução/Freepik

Um envelope recebido pelo correio, com o papel timbrado de um banco, tinha todos os sinais de ser legítimo. Ao abrir, um cartão de crédito. Mas um detalhe causou estranheza ao empresário Ricardo Pereira.

“Um cartão com meu nome e um nome em baixo. Achei estranho e fui no banco. Aí eles falaram que eu nomeei uma pessoa, só que não tem minha assinatura, não tem meu áudio, não tem nada. De repente, tinha quase R$ 30 mil gastos no meu cartão. Tive que entrar com processo, provar que não fomos nós. Ganhamos. Pelo menos resolveu”, contou.

O Ricardo entrou para uma estatística crescente há pelo menos cinco anos no estado de São Paulo: a dos estelionatos.

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Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública mostram que a quantidade de golpes mais que dobrou desde 2021, quando foram 58 mil casos. No ano passado, foram 121 mil ocorrências.

O advogado criminalista Haroldo Cardella avalia que a ampliação da quantidade de golpes pela internet explica o crescimento substancial desse tipo de crime.

“Depois da pandemia, nós tivemos um aumento significativo dos crimes praticados por meios digitais. Seja pela internet, pelas redes sociais, pelo WhatsApp. O criminoso migrou o estelionato, ou seja, a busca do patrimônio alheio para o mundo digital. Eles têm tecnologias e uma forma de abordagem das pessoas que chega muito próximo do real. Um familiar em apuros, uma situação grave de um falso sequestro, de um veículo que foi quebrado na rua e ele precisa de um socorro rápido”, explicou.

Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, os aposentados são as vítimas mais comuns do crime de estelionato. Apenas neste ano, pelo menos 3.230 casos foram registrados em todo o estado. Na sequência aparecem os profissionais autônomos, os empresários, os advogados e os professores.

Haroldo Cardella afirma que a renda fixa e o crédito fácil disponibilizado aos aposentados fazem com que eles sejam alvos preferenciais dos criminosos.

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“Muitos deles possuem créditos pré-aprovados nas instituições bancárias, que são os chamados consignados. Então, diante disso, essas vítimas, especialmente as pessoas mais idosas, se tornam presas fáceis para estes criminosos. Além disso, essas pessoas mais idosas são mais vulneráveis. Há uma questão de vulnerabilidade não só pela idade, mas também por conhecimentos da estrutura digital”, comentou.

Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança Pública declarou ter intensificado o combate ao estelionato com equipes especializadas. As investigações têm foco em golpes digitais como falsas plataformas de investimento, perfis fraudulentos e promessas de lucro acima do mercado.

Caso seja vítima de um crime desse tipo, a recomendação é realizar o registro do Boletim de Ocorrência o quanto antes e guardar todo tipo de prova.

Com informações da EPTV Campinas

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