Um ex-trabalhador que atuava no salto que terminou na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, falou pela primeira vez em entrevista exclusiva à EPTV, afiliada da TV Globo em Campinas.
Gusttavo Losi foi ouvido pela Polícia Civil no dia do acidente, prestou depoimento e acabou liberado horas depois. Segundo o inquérito, até agora não há elementos que indiquem participação direta dele na morte.
Na entrevista, Gusttavo disse que trabalhava como freelancer. Ele contou que conheceu o grupo responsável pelos saltos no ano passado, depois de ver vídeos nas redes sociais. Disse que se interessou pelo esporte e foi convidado a ajudar nos eventos, recebendo por dia de trabalho e podendo saltar sem custo.
Ele afirmou que não tinha vínculo formal com o grupo e que participava das atividades em Limeira cerca de uma vez por mês.
No dia da tragédia, Gusttavo também participou do evento e chegou a saltar da ponte. Ele contou que foi o primeiro salto do dia, feito junto com outra pessoa, como parte de uma comemoração de aniversário. Esse salto aconteceu sem problemas.
Segundo ele, o trabalho consistia em equipar os participantes com os itens iniciais de segurança. Depois disso, os clientes eram encaminhados para outra área, onde recebiam senha e duas pulseiras: uma que indicava o salto e outra para a gravação com câmera, que era opcional e paga à parte.
A partir daí, os participantes seguiam para outro instrutor, responsável por prender as cordas de segurança e fixar a câmera, quando contratado o serviço, antes de ir para a plataforma.
Na entrevista, ele também explicou que teve contato com Maria Eduarda antes do salto e falou sobre o que viu após a queda.
Depois do acidente, equipes de resgate foram acionadas, inclusive o helicóptero Águia, mas a jovem morreu no local.
Gusttavo afirmou que não se lembra de ter visto o profissional que deveria estar na parte de baixo da ponte para auxiliar após o salto. Disse que viu apenas uma cliente que havia pulado antes de Maria Eduarda.
Ele também afirmou que não percebeu se a jovem estava com a câmera no braço antes do salto.
Após a chegada da polícia, todos os integrantes que trabalhavam no evento foram levados para a delegacia. Os celulares foram apreendidos. Gusttavo disse que foi liberado no fim da tarde e conseguiu deixar o local com o aparelho.
Até o começo desta semana, a Polícia Civil já havia ouvido 21 pessoas no inquérito.
O primeiro relatório da investigação foi concluído e responsabilizou três homens que aparecem empurrando a jovem no vídeo. Eles seguem presos e respondem por homicídio com dolo eventual.
Um segundo inquérito continua em andamento e tem prazo de 30 dias. Esse novo procedimento investiga outras pessoas ligadas à organização do evento.
A Justiça também prorrogou a prisão temporária de três suspeitos detidos depois. Ao todo, seis pessoas estão presas no caso, todas ligadas ao grupo que organizava os saltos.
A Polícia Civil informou que não há comprovação de que o instrutor João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva tenha retirado a câmera que Maria Eduarda segurava na hora do salto.
Segundo a delegada Andréa Levy, imagens e depoimentos analisados apontaram que uma pessoa ainda não identificada se aproximou da jovem logo após a queda e levou o equipamento.
Testemunhas relataram ter visto um homem de cabelos escuros correndo com a câmera nas mãos.
Outra informação importante é a de que uma mulher que havia saltado antes de Maria Eduarda presenciou o que aconteceu naquele momento. Essa testemunha ainda não foi identificada oficialmente pela polícia.
A câmera é considerada uma das principais provas do caso. Ela poderia mostrar como foi feita a preparação do salto e ajudar a esclarecer a sequência do erro que levou à queda de cerca de 40 metros.
Até agora, o equipamento não foi localizado.
