Um levantamento da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) mostra que Campinas reduziu em 70,3% o número de ocorrências entre 2024 e 2025. Em entrevista ao CBN Campinas desta sexta-feira (5), o pesquisador Erivaldo Vieira, responsável pelo estudo, comentou que a redução quantitativa não deve ser confundida com o fim do problema.
“Apesar do recuo, a análise qualitativa dos dados revela que o crime não está apenas diminuindo. Ele está se transformando. Esse movimento indica uma migração para cargas de maior valor e operações mais seletivas, combinando menor frequência com maior retorno financeiro. A participação de ocorrências acima de R$ 1 milhão mais que dobrou no período”, explica Vieira.
Essa nova lógica econômica explica por que, mesmo com menos ataques, o prejuízo médio por ocorrência saltou 19,6%, subindo de R$89,9 mil para R$107,5 mil em apenas um ano.
A seletividade mencionada por Vieira reflete-se diretamente no tipo de mercadoria visada, embora os alimentos continuem no topo da lista pela facilidade de escoamento no mercado informal, houve um crescimento notável no interesse por produtos eletrônicos e farmacêuticos.
“O crescimento está associado à alta liquidez e facilidade de escoamento no mercado informal, características que reduzem o risco para as organizações criminosas. O que chama a atenção é o crescimento do roubo de eletrônicos e produtos farmacêuticos. (…) Medicamentos de alto valor agregado, como algumas canetas que ganharam popularidade recentemente [para emagrecimento], podem estar entre os fatores que aumentam o interesse dos criminosos por serem produtos de alto valor unitário e fáceis de transportar”.
Além da mudança nos alvos, a metodologia criminosa migrou do asfalto para o ambiente digital, com o estelionato crescendo quase 24% enquanto os roubos violentos recuaram.
Confira a entrevista completa no YouTube da CBN Campinas:
*Sob supervisão de Sandra Lambert

