O relatório final da investigação sobre a queda da aeronave da Voepass deve ser concluído nos próximos 30 dias e poderá resultar no indiciamento de pessoas que tiveram participação na autorização do voo. A informação da expectativa foi divulgada pelo advogado Luciano Katarinhuk, que representa os parentes das vítimas do voo.
Ele e representantes da Associação dos Familiares participaram nesta terça-feira (30), em Campinas, de uma reunião com a Polícia Federal, que está à frente das investigações, para tratar da previsão da entrega do relatório final do inquérito sobre o acidente áreo.
Pela primeira vez, tiveram acesso à transcrição das conversas na cabine do voo 2283 e conheceram detalhes do laudo técnico que embasa a fase final do inquérito conduzido pela PF, que reúne 200 páginas.
Ainda segundo Katarinhuk, algumas pessoas deverão ser ouvidas novamente, mas, desta vez, na condição de investigadas. A expectativa é de que essa fase complemente os elementos necessários para a conclusão do relatório da Polícia Federal.
O laudo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também é aguardado.
Além da busca pela responsabilização, as famílias também querem entrar com uma ação civil coletiva por danos morais. A maior parte das ações individuais já avançou para acordos com a empresa. Ainda não há um valor definido para a indenização coletiva, mas a quantia deverá ser calculada com base na extensão dos danos provocados pelo desastre.
Após a finalização do documento, o material será encaminhado ao Ministério Público Federal, que ficará responsável por analisar as conclusões da investigação e decidir se oferece denúncia à Justiça, dando início à ação penal.
Vice-presidente da associação e mãe de Liz, de 3 anos, a vítima mais nova da tragédia, Adriana Ibba afirmou que o documento reforçou uma convicção já compartilhada pelas famílias.
Para a presidente da associação, Fátima Albuquerque, mãe da médica Arianne Albuquerque, a conclusão técnica da investigação fortalece a busca por responsabilizações.
A queda do avião da Voepass completa dois anos em agosto. A aeronave decolou de Cascavel, no Paraná, por volta do meio-dia e tinha como destino o aeroporto de Guarulhos. Caiu na área de um condomínio em vinhedo pouco mais de 1 hora e 20 minutos depois da decolagem; todas as 62 pessoas a bordo morreram.
A apuração do que causou a tragédia começou logo após o resgate dos corpos
Até o momento, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não divulgaram oficialmente nomes de investigados nem anteciparam eventuais indiciamentos.
