O número de casos de amputação causados pelo tipo mais comum do diabetes, o “mellitus II”, cresceu quase 33% em 2025, caracterizando o maior nível desde 2020.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, no DRS (Departamento Regional de Saúde VII), foram 591 procedimentos em pacientes diagnosticados com diabetes mellitus II, contra 445 no ano retrasado.
O número impressiona, já que outras doenças mais comuns como causas para amputações, como as neoplasias e malformações, tiveram avanço de apenas 3,7% em 2025, com 1.087 casos na região no mesmo período.
Já as amputações provocadas por acidentes caíram 10,4% no período, fechando o ano passado com 146 casos.
O grande problema é que o diabetes mellitus não dá sinais. Edivaldo Apolinário é aposentado e confessa que levava uma vida desregrada, bebendo e fumando. Até que a conta chegou.
“Foi um exame de rotina na fábrica. Passei 10 anos não ligando para isso. Para mim, diabetes era uma coisa qualquer, e eu continuei fazendo tudo errado”, admite.
Quando a doença foi diagnosticada, o quadro já incluía neuropatia e retinopatia diabética, ou seja, nervos e olhos já haviam sido atingidos.
Hoje, a rotina inclui a aplicação de quatro doses de insulina por dia, testes de controle de glicemia, cuidados com a alimentação e muitos exercícios físicos.
“A neuropatia diabética começa pela parte plantar dos pés, afeta os nervos. Ela afeta a parte cardiovascular, a parte renal. E a retinopatia, logo em seguida, que é a outra complicação”, explica.
O médico endocrinologista Danilo Villagelin Neto explica que, além do mellitus 2, também existem outros tipos de diabetes para os quais as pessoas devem ficar atentas.
“O diabetes é uma doença que se caracteriza pelo aumento do açúcar no sangue. O tipo II, que é o mais prevalente, em torno de 90%, está relacionado à idade mas, o principal fator, é a obesidade. Essa gordura abdominal que a gente chama de visceral. Então quanto mais o paciente estiver acima do peso, maior é o risco de desenvolver o diabetes. É claro que o antecedente familiar, hábitos não saudáveis e a idade contribuem para isso.
Já o tipo I acomete mais as crianças e os adolescentes. Ela é autoimune: o seu corpo produz anticorpo que destrói a célula beta produzida lá no pâncreas. Aí você precisa tomar insulina para o resto da vida”, orienta.
O corpo humano não é um cálculo matemático, mas dá para dizer que pessoas sedentárias, que se alimentam mal e que são estressadas, são mais propensas a desenvolver o diabetes.
“A gente poderia dividir os efeitos em curto prazo e no longo prazo. Se a gente imaginar uma glicemia em torno de 200, 300, vai causar muitos poucos sintomas agudos. Mas isso cronicamente, no passar de anos ou décadas, vai causar complicações. A principal delas é a doença cardiovascular: o infarto, a angina, o AVC e a morte súbita”, alerta o especialista.
Entre as amputações mais comuns de 2020 a 2025, na região de Campinas, estão as de pé e tarso (conjunto de ossos entre o tornozelo e o mediopé), dedos, desarticulações de dedos.
Pés, tornozelos e dedos representam cerca de 80% dos 9.148 procedimentos de amputação realizados no período.
Com informações de Wesley Justino/EPTV Campinas
