Uma confusão durante a fala do ex-ministro e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), interrompeu uma aula magna na Unicamp, em Campinas, na noite desta quinta-feira.
O tumulto começou quando integrantes do Movimento Brasil Livre, o MBL, se manifestaram no meio da apresentação, que tratava dos desafios econômicos do Brasil. Houve empurrões, troca de socos e correria dentro do Teatro de Arena, que estava cheio.
Entre os manifestantes está um que se intitula como Matheus Unicamp, que atua principalmente nas redes sociais. Ele relatou que foi derrubado com uma rasteira durante a confusão e afirmou que integrantes do grupo foram agredidos.
A segurança do evento retirou os manifestantes do teatro e, depois, do campus. Não há registro de feridos.
Uma equipe do portal g1 Campinas acompanhava o evento. Haddad disse ao público que não entendeu o que havia sido dito durante o protesto. Ele seguiu com a aula, afirmou que está em preparação para a campanha eleitoral e deixou o local sem falar com a imprensa.
Outro integrante do MBL disse que o objetivo da ação era questionar uma suposta campanha antecipada, além de fazer críticas à atuação de Haddad como ex-ministro.
A Polícia Militar informou que foi acionada, mas não precisou intervir porque a situação já estava controlada pelos organizadores.
Durante a noite, a Unicamp informou não ter detalhes sobre o episódio. A assessoria de Haddad também foi procurada oficialmente, mas preferiu não se pronunciar.
Antes da confusão, Haddad criticou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) estadual que reduz o orçamento de universidades e da Educação em São Paulo, permitindo que parte do valor seja destinada para a Saúde.
A PEC, de autoria do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi aprovada em novembro de 2024 na Assembleia Legislativa de São Paulo. A medida reduziu a obrigatoriedade de investimento do Estado na Educação, de 30% para 25% da receita.
Na sequência, o pré-candidato apontou insegurança quanto ao decreto que garante um repasse mínimo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) à Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp).
O que diz a Unicamp
“A Reitoria da Universidade Estadual de Campinas condena veementemente os atos de violência e tumulto registrados no transcurso da aula magna realizada na noite de 2 de julho, no Teatro de Arena da Universidade. A interrupção, por meio de agressões, de uma atividade acadêmica aberta à comunidade é inaceitável e contraria os princípios mais fundamentais da instituição.
A Unicamp reafirma seu compromisso histórico com a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o debate qualificado — valores essenciais de qualquer universidade pública e da própria democracia. Divergências políticas e ideológicas são bem-vindas e devem ser expressas dentro do respeito mútuo e das regras do debate acadêmico, jamais por meio de violência ou intimidação.
A Reitoria informa que apura os fatos ocorridos e adotará as medidas cabíveis, em conjunto com as instâncias internas competentes. A Universidade permanecerá um espaço livre, seguro e plural para a construção do conhecimento e o exercício da cidadania.“
