A investigação sobre a queda do avião da Voepass, em Vinhedo, que matou 62 pessoas em agosto de 2024, entrou na fase final. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Cenipa, órgão da Força Aérea Brasileira responsável pela apuração técnica do acidente.
Segundo o Cenipa, cerca de 95% dos trabalhos já foram concluídos. O relatório final está sendo revisado por autoridades da França e do Canadá, conforme as normas internacionais para investigações aeronáuticas. Ainda não existe previsão para a divulgação oficial do documento.
Durante a apuração, os investigadores analisaram as duas caixas-pretas da aeronave, reconstruíram o voo minuto a minuto e examinaram motores, sistemas de degelo e equipamentos de proteção contra estol. Também foram avaliadas as condições meteorológicas do dia do acidente, registros de manutenção, certificados dos pilotos e mais de 15 mil voos realizados por aeronaves da mesma frota.
O Cenipa realizou ainda entrevistas com pilotos, mecânicos e familiares das vítimas, além de testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500.
A próxima etapa será analisar as observações enviadas pelos investigadores franceses e canadenses. Depois disso, o órgão vai concluir e publicar o relatório final, que terá o objetivo de identificar os fatores que contribuíram para a tragédia e propor melhorias para a segurança da aviação.
Paralelamente, a Polícia Federal também está na reta final do inquérito criminal que investiga possíveis responsabilidades pelo acidente. Familiares das vítimas tiveram acesso recentemente à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave. A expectativa dos advogados é de que o inquérito seja concluído nas próximas semanas e encaminhado ao Ministério Público Federal.
O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500 da Voepass fazia a rota entre Cascavel, no Paraná, e o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando caiu em um condomínio de Vinhedo. As 62 pessoas a bordo morreram. Foi o acidente aéreo mais grave no Brasil desde o desastre da TAM, em 2007.
Em nota, a Voepass afirmou que continua colaborando com as investigações, prestando apoio às famílias das vítimas e aguardando a divulgação do relatório final do Cenipa para o esclarecimento definitivo das causas do acidente.
