A defesa do vereador Vini Oliveira sustenta que os vídeos que embasam a denúncia contra ele foram editados e manipulados e que os envelopes recebidos da empresa ligada à licitação do transporte coletivo continham apenas documentos.
O argumento foi protocolado na Câmara de Campinas nesta terça-feira (30) com um parecer técnico do perito Ricardo Molina, que concluiu que as gravações não são originais nem autênticas. Molina atuou no caso da morte de PC Farias, na década de 1990.
No documento, os advogados afirmam que o material sofreu cortes, efeitos artificiais e aplicação de máscaras de desfoque, o que comprometeria a validade como prova.
Além disso, reforçam que não há registro de dinheiro nas imagens e que o parlamentar agiu em transparência ao disponibilizar seus sigilos bancário e fiscal às autoridades.
Análise do pedido de cassação
A Comissão Processante é formada pelos vereadores Paulo Haddad (PSD), presidente; Otto Alejandro (PL), relator; e Dr. Yanko (PP). Eles têm até cinco dias para decidir se a apuração prossegue ou se a denúncia deve ser arquivada. A reunião na Câmara está marcada para esta quinta-feira (2).
“Nosso papel é analisar tecnicamente a defesa e verificar se há elementos mínimos para dar continuidade. Não cabe juízo antecipado, mas sim respeito ao rito legal”, afirmou Haddad em entrevista à CBN.
Caso os vereadores entendam que o processo deve ser encerrado, a decisão ainda precisará ser submetida ao plenário da Câmara. Já a continuidade dos trabalhos não depende de votação dos demais parlamentares.
“Se entendermos que não há justa causa, o processo será arquivado. Caso contrário, abriremos a fase de instrução, com coleta de provas e depoimentos”, disse o presidente da comissão.
Os vídeos da denúncia
A Comissão Processante foi aberta após a divulgação de vídeos que mostram Vini Oliveira recebendo envelopes em uma reunião realizada na Smile Turismo, uma das empresas que venceu o pregão que escolhe as novas operadoras do transporte coletivo de Campinas. O conteúdo dos materiais nunca foi oficialmente confirmado. A abertura da investigação foi aprovada por unanimidade pelos vereadores da Câmara.
Paralelamente, a Corregedoria do Legislativo também conduz um procedimento para apurar eventual quebra de decoro parlamentar. O caso ainda é alvo de investigação do Ministério Público e da Polícia Civil, que realizaram operação conjunta. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao vereador e a empresas citadas na apuração.
O Ministério Público e a Polícia Civil foram questionados pela reportagem e informaram que até o momento o caso segue em apuração, mas que detalhes não serão informados por ‘sigilo’.
Vini Oliveira nega qualquer irregularidade. Em manifestações públicas, afirma que recebeu apenas documentos relacionados ao sistema de transporte público de Campinas, defende a apuração dos fatos e já declarou ser favorável à quebra de seu sigilo bancário.
A Comissão Processante tem prazo de 90 dias para concluir os trabalhos, contados a partir de 17 de junho. Caso a apuração seja mantida, o relatório final, com eventual recomendação de cassação ou arquivamento, precisará ser apreciado pelo plenário da Câmara até 15 de setembro de 2026.
A defesa do vereador foi procurada para se manifestar, mas não houve retorno.
