A fabricante francesa de aviões ATR modificou os procedimentos de manutenção e atualizou sistemas de segurança das aeronaves da marca, após o acidente do voo 2283 da Voepass, em agosto de 2024.
A informação foi divulgada pelo relatório final da investigação do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), divulgado nesta quinta-feira (23).
O novo manual de manutenção traz novas orientações sobre a remoção e a instalação do sensor de posição do profundor esquerdo.
A investigação do acidente mostrou que o componente estava montado de forma incorreta no ATR-72, prefixo PS-VPB, envolvido no acidente. Apesar disso, a investigação afirma que a falha não teve influência na queda do avião.
A fabricante também lançou uma versão atualizada do sistema que monitora o desempenho da aeronave, e previne problemas em situações de acúmulo de gelo.
O software já foi certificado pela Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), e está sendo instalado por um boletim de serviço da fabricante.
O programa faz a correção dos limites mínimos de velocidade para operações em condições de gelo.
A nova versão também cria um intervalo de 60 segundos antes que os alertas desapareçam do sistema, o que deve evitar que as mensagens apareçam e desapareçam de forma repetida.
O relatório final do Cenipa sobre o acidente da Voepass também faz recomendações como a mudança do procedimento para casos de perda de desempenho por acúmulo de gelo.
Outro ponto é a recomendação de troca da cor da lâmpada que alerta para velocidade baixa: de âmbar para vermelha. Na prática, isso eleva a categoria de advertência e pode ajudar a aumentar a percepção dos pilotos em um caso de perda de desempenho do avião.
Outra orientação é de que outros parâmetros passem a ser registrados pelo gravador de dados de voo, incluindo falhas no sistema de degelo e a ativação do stick pusher, que empurra o manche automaticamente para evitar que o avião perca a sustentação.
“Normalização de desvios”
O relatório final do Cenipa, apresentado nesta quinta-feira (23), indicou 19 fatores em uma “cultura de normalização de desvios” em condutas operacionais da empresa.
O documento aponta que pilotos e mecânicos deixavam de relatar problemas em aeronaves nos diários de bordo.
A investigação também mostrou que o avião que caiu em Vinhedo não poderia ter decolado em horário com previsão de chuva, por conta de uma falha no limpador de para-brisa.
O ATR-72 também apresentou falhas no sistema de degelo das asas em dois voos na véspera da queda, mas o problema não foi registrado em diário de bordo.
Ao todo, 58 passageiros e 4 tripulantes morreram na queda do voo 2283, que caiu em Vinhedo (SP) quando começava o procedimento de pouso, do voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), em 9 de agosto de 2024.
