O atacante Lucca foi o autor do primeiro gol na vitória por 3 a 1 sobre a Inter de Limeira. O jogador do Guarani não marcava desde fevereiro e colocou fim ao jejum de gols.
“Realmente incomoda bastante. Isso estava tirando meu sono. Não gosto de ficar muito tempo sem marcar. Mas eu não deixei de trabalhar. A única coisa que eu tenho para fazer, e que está no meu controle, é continuar trabalhando. Mas, sinceramente, estava me incomodando muito. Graças a Deus, eu tive grandes momentos na minha carreira marcando gols, e passar um tempo sem marcar não é tão comum”, afirmou o jogador.
O gol também teve um significado especial para o atacante no aspecto pessoal. Há um ano, Lucca recebeu a notícia da morte do pai, fato que mexeu com o jogador dentro e fora de campo.
“Cara, é muito difícil falar sobre meu pai. Eu já falei outras vezes que não quero chorar. Isso mexe comigo. Eu perdi ele de repente. Um cara de 72 anos, ativo, e isso acontecer do nada. Foram meses difíceis, complicados. Ele era o pilar da nossa família, e aconteceu. Mas eu sigo me adaptando. Fez um ano agora. Não tem muito o que fazer. Fica a lembrança. Tem dias mais difíceis, tem dias em que a gente sente mais saudade. Mas é lembrar de tudo o que ele fez por mim e honrar isso. Se não fosse por ele, eu não estaria aqui. Ele foi quem me incentivou durante toda a minha carreira, me levou para fazer tudo e estava comigo em todos os momentos. Agora meu filho está aí, gosta de futebol, e quero ser para ele tudo o que meu pai foi para mim. Eu não gosto de ficar me emocionando falando sobre isso. Meu pai prefere ver meu sorriso do que me ver chorando”, afirmou.
Para superar a dor da perda e continuar a carreira no futebol, Lucca afirmou que o apoio mental foi fundamental. O jogador destacou o trabalho do psicólogo André Luís Aroni, que atua no Bugre desde 2022.
“Eu passei quatro meses difíceis e sem dormir direito. Eu fiquei uns quatro meses sem dormir, buscando ajuda, psicólogo. Quando eu cheguei aqui, estava em um processo de melhora e colocando as coisas nos trilhos. Aqui eu conheci o André, que é o nosso psicólogo. Ele me ajuda muito. Acho isso muito importante. Jogador de futebol tem essa dificuldade de procurar ajuda, mas eu não tenho dificuldade nenhuma. A gente vive sob pressão. Jogar no Guarani não é fácil. É uma camisa pesada. A cobrança é grande. A gente sabe que lida com a paixão do torcedor e, muitas vezes, falando por mim, essa ajuda externa auxilia muito. Existe muito preconceito do jogador de futebol em procurar ajuda, fazer terapia, mas isso me ajudou muito. Eu, particularmente, acho que isso é uma ajuda importante, porque não adianta cuidar do corpo sem cuidar da cabeça”, finalizou.
O Guarani volta a jogar pela Série C do Campeonato Brasileiro no dia 10 de agosto, às 20h, contra o Anápolis, fora de casa.
