O número de protestos por dívidas de condomínio mais que dobrou em Campinas em um ano. Dados dos cartórios da cidade mostram que, em 2025, já foram registrados 89 protestos por falta de pagamento de taxas condominiais, enquanto em 2024 esse número foi de 40.
Segundo profissionais do setor, a negociação com o morador inadimplente é sempre a primeira alternativa. O síndico profissional William Silva, que atua na área há 14 anos, explica que os condomínios costumam buscar um acordo antes de recorrer a medidas mais rígidas. No entanto, quando a dívida se prolonga, o caixa do condomínio passa a sofrer os impactos.
Uma das ferramentas utilizadas para acelerar a cobrança é o protesto em cartório. A medida tem como objetivo pressionar o devedor a regularizar a situação e reduzir o tempo de inadimplência.
De acordo com a tabeliã substituta do 2º Tabelião de Protesto de Campinas, Michele Sigoli, quem tem uma dívida protestada pode enfrentar restrições de crédito, o que dificulta o acesso a financiamentos, empréstimos e outras operações financeiras.
O síndico profissional Reginaldo Ribeiro, responsável pela administração de 16 condomínios, afirma que a inadimplência afeta principalmente os empreendimentos de menor porte. Segundo ele, há moradores com débitos entre R$ 25 mil e R$ 35 mil, valores que comprometem significativamente o orçamento dos condomínios.
Ainda de acordo com Reginaldo, a falta desses recursos pode prejudicar o pagamento de despesas essenciais, como contas de água, energia elétrica, seguros e serviços de manutenção.
As dívidas de condomínio podem ser protestadas já no dia seguinte ao vencimento. Para cancelar o protesto, o devedor precisa quitar ou negociar o débito com o condomínio e pagar as taxas cartorárias, cujo valor varia conforme o montante da dívida.
Caso a pendência não seja regularizada, o condomínio pode recorrer à Justiça para cobrar o débito. Em situações extremas, o imóvel do devedor pode ser penhorado e levado a leilão para a quitação da dívida.
