Você até pode ser o motorista mais cuidadoso do mundo, mas aquela tampa no asfalto que pode parecer tão plana… Pode ser um buraco gigantesco para o seu carro.
O desnível das tampas de poços de visita se transformou em uma verdadeira dor de cabeça nas ruas e avenidas de Campinas.
Muitas delas ficaram assim após trabalhos de recapeamento. Em outros casos, reparos pontuais em tubulações resultaram em um recorte de local que fica mais fundo do que o restante da via.
Algumas são de responsabilidade da Sanasa. Outras, de empresas de telefonia como a antiga Telesp, hoje a operadora Vivo.
Na região entre o bairro da Ponte Preta e o limite com Valinhos, a reportagem da CBN registrou pelo menos seis locais em que o desnível resulta em tampas que se tornam verdadeiros buracos.
A situação é pior na Avenida Engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza, onde o motorista também precisa desviar de muitas ondulações de asfalto, nos dois sentidos da via.
Mas também encontramos problemas em frente à Câmara Municipal. Em frente à portaria dos gabinetes, na Avenida da Saudade próximo ao acesso para a Avenida Francisco de Paula Souza, duas tampas afundadas disputam espaço com pequenos buracos e mais asfalto ondulado.
A situação também se repete na Avenida Ângelo Simões, no sentido da Avenida Monte Castelo, e na Avenida Sylvio Moro, perto da Marginal do Piçarrão. Na Ângelo Simões, muitas tampas pertencem à Telesp, hoje a operadora Vivo.
Na avaliação do urbanista João Verde, o problema é causado pela falta de atuação integrada das empresas terceirizadas e das proprietárias dos poços, antes das obras nas ruas e avenidas.
“O que acontece é que essas empresas de correção de asfalto, tapa buraco ou de asfaltamento novo, que fazem uma sobrecapa no asfalto existente, eles retiram o asfalto com máquinas e, depois, aquela massa passa por um reprocessamento com asfalto novo, e depois isso é recolocado na via pública, praticamente fica no mesmo nível as tampas onde estavam. Mas quando há uma sobreposição de camadas, a tampa fica afundada.
Ou então, às vezes até a própria máquina passando em cima, pode fazer com que a tampa saia do lugar, fique desnivelada. Então que isso esteja alinhado para que essas empresas trabalhem juntas. Claro, às vezes não dá para trabalhar no mesmo momento. Ou fazer um serviço um pouco antes, um pouco depois, no dia seguinte. Mas não deixar para as coisas serem feitas muito tempo depois. Da mesma maneira, quando é feita a correção do asfalto”, comenta.
Prefeitura responde
A Prefeitura de Campinas afirmou que todos os locais apontados pela reportagem vão ser vistoriados para a adoção de providências cabíveis.
Sobre o acabamento dos serviços de recape, a Prefeitura diz fazer a remoção do asfalto antigo com a máquina de fresagem, o que pode fazer com que a tampa dos poços fique mais alta. O município garante que no momento do recobrimento com nova massa asfáltica, ela volta ao nível.
Declarou também que os desníveis ocorrem, em sua maioria, pelo impacto e o recalque causados pelo trânsito pesado.
A Prefeitura também diz que, nos poços de visita de rede de águas pluviais, o nivelamento é executado diretamente pelas próprias equipes.
Nos casos que são de responsabilidade de terceiros, as empresas são formalmente notificadas pela Secretaria de Infraestrutura.
O que diz a Sanasa?
A Sanasa informou ter expedido ordem de serviço para executar o nivelamento dos poços de visita apontados pela reportagem e que são de sua responsabilidade.
A empresa orienta que as denúncias de situações de tampas desniveladas sejam feitas pela central de atendimento, no 0800 772 1195.
A Vivo informou ter feito uma vistoria nos locais mencionados pela reportagem e fará, o quanto antes, os ajustes necessários em algumas caixas subterrâneas que são de sua responsabilidade.
Reportagem atualizada em 03.ago.2026 para a inclusão do posicionamento da operadora Vivo, enviado após o fechamento da matéria original.
