Um empresário de Paulínia perdeu R$ 88 mil depois de cair em um golpe de falso leilão de veículos pela internet. Fernando Gonçalves tem uma empresa na cidade há mais de 10 anos e mesmo acostumado a negociar e avaliar negócios, ele acreditou que estava comprando uma caminhonete em um leilão online.
“Eu tenho uma empresa em Paulínia aqui, com mais de 35 pessoas. Já há mais de 10 anos e eu caí naquele golpe do leilão. […] na hora [percebi] a gente caiu no golpe do leilão, comprei uma caminhoneta no leilão, paguei quase 88 mil e perdeu.”
O golpe aconteceu no início de agosto. Fernando fez o pagamento e chegou a contratar um guincho para buscar a caminhonete em Porto Feliz. Mas, quando chegou ao local, descobriu que a empresa leiloeira e o veículo não existiam.
“Isso aconteceu em uma cidade vizinha aqui e a gente já na hora foi lá buscar o carro com o guincho, Porto Feliz. Ainda além de tudo, perde, paga o guincho. Chegou lá, tem uma delegacia perto para atender a gente.”
A página
O site usado na fraude se apresenta como Ortega Leilões. A página oferece veículos, apresenta informações sobre os lotes e usa documentos que dão aparência de negociação legítima. Mas, segundo Fernando, mesmo depois da denúncia do golpe, o site continua funcionando.
“Mas é impossível você vai você não consegue passar do balcão e assim muito mal atendido mesmo assim não tem o que fazer aí a gente faz a denúncia online mas não fazem nada o site continua fazendo leilão eu entrei por um outro telefone meu fiz um cadastro de novo e continua a mesma coisa o site aí eu recorri para esse amigo meu de novo lá e ele derrubou o site mas na mesma hora volta o site.”
Leiloeiro real também é vítima do golpe
Segundo o empresário, o endereço chegou a ser retirado do ar, mas voltou a funcionar pouco depois com uma pequena alteração no domínio. Outro detalhe que chama a atenção nesse caso: Os criminosos usaram os dados de um leiloeiro público que realmente existe.
O nome de José Manoel Botana Iglesias, a matrícula profissional e outros dados apareciam nos documentos apresentados pelo site na compra feita pelo empresário da região.
Porém, o próprio leiloeiro afirma que também é vítima. Ele diz que começou a receber diversas ligações de pessoas que acreditavam ter comprado veículos em leilões realizados por ele. José Manoel afirma que não tem relação com o site e que já denunciou o uso indevido dos dados à polícia.
“O Iglesias Sociedade de Advogados, que representa o leiloeiro oficial José Manoel Botana Iglesias, informa que já adotou as providências criminais cabíveis.”
A defesa do leiloeiro ressaltou que José Manoel também é vítima e que os dados do profissional também foram usados de forma fraudulenta, sem qualquer participação ou autorização. O advogado que está a frente do caso, Felipe Iglesias, afirmou que já fez o registro do crime para instauração de inquérito policial e identificação dos responsáveis pelos falsos leilões.
O uso de informações verdadeiras é uma das estratégias que pode tornar esse tipo de golpe mais difícil de identificar.
O advogado William Pimentel, especialista em Organizações Criminosas e Processo Penal, explica que não basta procurar o nome do leiloeiro ou conferir a matrícula profissional.
“Antes de fazer qualquer transferência em um leilão, o consumidor deve conferir 3 pontos: quem está vendendo, quem é o leiloeiro e quem receberá o dinheiro. O leiloeiro público deve estar regularmente matriculado na junta comercial, mas não basta conferir apenas o nome matrícula, porque esses dados podem ser copiados pelos fraudadores. É necessário verificar também se o site, telefone ou e-mail coincidem com os canais oficialmente cadastrados.”
No caso de um leilão judicial, por exemplo, existe outra forma de checar se a negociação é verdadeira.
“Se for um leilão judicial, deve existir processo, vara, edital e leiloeiro designado, tudo verificável diretamente no site do tribunal. Nos leilões extrajudiciais ou empresariais, é preciso confirmar a origem da venda com o credor, proprietário e empresa responsável pelos bens.”
Ou seja: a recomendação é não confiar apenas nas informações apresentadas pelo próprio site que está oferecendo o veículo. É preciso buscar uma confirmação independente. Se o consumidor perceber que já caiu no golpe, a orientação é agir rapidamente.
“Se a pessoa perceber que caiu num golpe, a providência mais urgente é comunicar imediatamente o banco e contestar a operação. No caso de PIX, deve pedir a abertura do mecanismo especial de devolução, o MED. Em seguida, registrar a ocorrência e preservar todas as provas: comprovante, conversa, anúncio, site, edital e dados do beneficiário.”
Dinheiro perdido e espera por respostas
No caso de Fernando, ele procurou a Polícia Civil e também o Ministério Público. O empresário diz que encontrou dificuldades para registrar as denúncias e ficou com a sensação de que não havia uma resposta enquanto o site continuava funcionando.
“Volta de novo só muda uma letra e continua dando um golpe num monte de gente e a gente não tem o que fazer o dinheiro meu eu já perdi eu sei que eu perdi que é muito difícil ver com o banco se recupera mas o problema é o quanto de gente que tá caindo.”
Segundo Fernando, cerca de 70 pessoas teriam sido vítimas do mesmo site.
A CBN contatou a Ortega Leilões em relação às denúncias de fraude, mas não houve retorno.
O que diz a Secretaria de Segurança Pública
A Secretaria de Segurança Pública também foi questionada. Em nota, informou que o caso foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Paulínia, onde serão realizadas as diligências necessárias para a apuração dos fatos, incluindo a oitiva da vítima e a análise da documentação pertinente.
