Três meses após centenas de reclamações sobre o mau cheiro na água, moradores de Monte Mor, Paulínia e Hortolândia voltaram a sofrer com as condições da água que chega até a torneira no início deste mês.
Além do cheiro ruim, a população também relata que o gosto da água também está alterado. O ouvinte Ari Vieira, de Hortolândia, conta que o cheiro se assemelha ao de mofo e que o gosto é amargo.
Daniela Maziero também é moradora de Hortolândia e explica que a situação vem piorando há cerca de 15 dias. Ela sente esse cheiro inclusive quando vai tomar banho.
Morador do bairro San Remo, em Monte Mor, Francisco Oliveira afirma a qualidade da água tem afetado até mesmo na lavagem das roupas, que acabam ficando com o cheiro de mofo, em vez de saírem limpas. Para ter acesso à água potável, ele afirma que tem comprado galões d’água.
Os três municípios recebem abastecimento do Rio Jaguari. O tratamento de água e esgoto das cidades é feito pela Sabesp.
À época, quando outro episódio de mau cheiro foi registrado, a companhia informou que o problema foi causado por uma alteração natural no rio, pela baixa vazão dos mananciais no período de estiagem.
A falta de chuvas teria provocado a decomposição de matéria orgânica, mas sem risco à potabilidade, como informou a Sabesp em comunicado oficial. Também chegou a afirmar, em abril deste ano, que os parâmetros de qualidade da água estavam dentro da normalidade, com base em análises feitas pela própria companhia.
A situação também recebeu acompanhamento da Cetesb, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, que exigiu medidas corretivas. Ficou determinado o uso de carvão ativado no tratamento da água. O órgão também realizou monitoramento constante das condições da água ofertada à população pela Sabesp na região.
Nova resposta da Sabesp
A CBN Campinas questionou a Sabesp sobre o caso, nesta segunda-feira (3). Em nota, a Sabesp informa que já está atuando “in loco” para apurar as manifestações relacionadas à qualidade da água registradas em Hortolândia, Monte Mor e Paulínia.
Equipes da Companhia estão realizando coletas e análises em diferentes pontos do sistema e atendendo diretamente os clientes que registraram ocorrências. Disse que os resultados disponíveis até o momento confirmam que a água permanece dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação.
Como medida preventiva, a Sabesp reforçou a aplicação de carvão ativado no processo de tratamento e acionou o poder público para acompanhamento da situação. Apontou ainda que mantém o monitoramento contínuo e seguirá adotando as medidas operacionais necessárias para garantir a qualidade e a segurança do abastecimento.
A Sabesp destacou ainda que está à disposição dos clientes pelos canais de atendimento. Ocorrências e solicitações podem ser registradas na Central de Atendimento pelo telefone 0800 055 0195, com ligação gratuita e funcionamento 24h, pelo WhatsApp (11) 3388-8000 ou pela Agência Virtual, no site www.sabesp.com.br.
Cetesb acompanha o caso
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) também informou, em nota, que monitora a qualidade dos rios que abastecem as estações de tratamento de água nos municípios de Hortolândia, Paulínia e região.
Afirmou que, recentemente, foi instalada uma sonda automática multiparâmetro na captação de água bruta no Rio Jaguari, com medições contínuas. Até o momento, não foram identificadas alterações nos principais parâmetros de qualidade nem substâncias associadas a gosto e odor na água. A Cetesb continua acompanhando o caso.
