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Moradores cobram nivelamento de paralelepípedos em ruas do Centro de Campinas

Pedras desalinhadas danificam assoalho de automóveis e deixam população "na bronca"
paralelepípedos
Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas

Símbolos de um período em que a cidade começava a se urbanizar e precisava de uma alternativa ao chão batido, os paralelepípedos representam um capítulo importante da história de Campinas.

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Mas a cidade que viu o tipo de frota circulante por suas ruas e avenidas mudar e o horizonte ser coberto pelos prédios, também enfrenta os desafios da má conservação do piso de pedras em muitos endereços.

A reportagem da CBN Campinas percorreu algumas vias da região central, área onde os ouvintes mais apontam reclamações sobre o estado de conservação dos paralelepípedos e que trazem consequências para os automóveis. Cinco pontos críticos chamaram a atenção e foram encaminhados à Prefeitura.

Duque de Caxias

Na Rua Duque de Caxias, próximo ao número 490, as pedras desniveladas indignam a representante comercial Lia de Oliveira. Ela conta que o carro, sua ferramenta de trabalho, sofre com os problemas mecânicos decorrentes do sacolejo dos paralelepípedos desnivelados.

“Tá difícil. Prejudica, danifica o veículo, a gente depende como instrumento de trabalho. Eu acho que dá para melhorar, dá para fazer alguma coisa. E mesmo quando não é paralelepípedo, os buracos também nos pegam de surpresa”, lamenta.

O chef de cozinha Johan Frank também critica o estado de conservação das ruas de pedras na região.

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“Tá muito complicado, a gente enfrenta bastante problema. As ruas são bastante tortas, totalmente desniveladas, a gente enfrenta bastante problema. Pelo pouco que eu conheço, ele [paralelepípedo] serve para drenar água da chuva, então ele deveria ser eficiente para que isso funcionasse corretamente, mas precisa estar alinhado”, opina.

Coronel Rodovalho

Na Rua Coronel Rodovalho, uma via de mão e faixa únicas que liga a Rua César Bierrembach à Rua Conceição, existem três endereços ativos: um prédio residencial, outro comercial, além de um estacionamento.

A reclamação é unânime: as pedras anguladas em formato de “A” provocam graves danos ao assoalho dos veículos de moradores e funcionários de empresas.

A rua também sofre com um problema de drenagem, com acúmulo de água decorrente de chuvas e do sistema de bombeamento de minas d’água, do subsolo dos prédios, e que acabam sendo descartadas nas sarjetas da via. Condôminos apontam que o desafio de drenagem nunca solucionado contribui para o entortamento das pedras.

A reportagem da CBN Campinas acompanha a situação na rua desde novembro de 2025. Na época, uma promessa de correção feita para abril de 2026 acabou não se concretizando.

Há cerca de um mês, o município anunciou estar programada a retirada do paralelepípedo, o nivelamento da base e a recolocação das pedras. Os serviços seriam iniciados no dia 28 de julho, mas não foram executados.

Na época, a pasta explicou que as deformações na Coronel Rodovalho são causadas pelo tráfego de veículos com excesso de peso, e que a via não foi projetada para suportar esse tipo de circulação de veículos.

Disse também que, por se tratar de uma rua estreita, acaba sofrendo com o desgaste excessivo das laterais, uma vez que a passagem ocorre individualmente e impossibilita a adequada distribuição de carga.

Parte da promessa foi cumprida: a aplicação de uma camada de capa asfáltica nos buracos foi executada, mas o material já dá sinais de afundamento.

A Denise é síndica de um dos prédios da rua, e diz que ficaria contente se os paralelepípedos fossem reassentados, devolvendo a condição de nivelamento da via.

“Todo mundo quer que asfalte essa rua. Eu já nem falo em asfaltar. Se asfaltasse seria bom, mas para fazer um asfalto eles têm que arrumar essa rua, nivelar. Mas se eles fizessem isso, fizessem o serviço de drenagem, nivelassem os paralelepípedos, eu já ficaria super feliz com isso. Não estaria arrebentando tanto carro quanto arrebenta todo dia. É para-lama de carro que fica quando sai do estacionamento porque pega na depressão… os carros não-avisados que vêm arrebentando toda a parte de cárter”, conta.

Outros pontos

A CBN também identificou problemas na Rua Cônego Cipião, entre a Avenida Francisco Glicério e a Rua Irmã Serafina; na esquina entre as ruas Luzitana e Cônego Cipião, próximo à Paróquia São Benedito; e na Rua Santos Dumont, no Cambuí, na altura do número 469.

Bom senso acima de tudo

Para o arquiteto e urbanista Fábio Muzetti, a discussão sobre a zeladoria dos paralelepípedos deve ser feita com serenidade e bom senso.

Ele observa a necessidade de desmistificar a função desse tipo de piso, que é majoritariamente impermeável.

Muzetti avalia que é necessário diálogo com os órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico e cultural, e responsáveis por liberar ou não reparos em vias de paralelepípedo.

“A questão é da memória, da época em que foi feito, a primeira pavimentação, alguns são históricos. Em lugares de pouco movimento, eu acho que vale a pena manter. Mas a gente sabe que uma pavimentação mais lisa favorece, a começar pelos pedestres. Você não tem obstáculos para idosos, crianças, cadeirantes, pessoas com andador, é muito mais eficiente. Para os veículos, a trepidação, os ônibus, os carros pesados. Outra coisa é a história da memória, que tem que ser olhada com parcimônia. A cidade evolui, cresce, algumas ruas mudam de status e o que depende muito do que acontece, dos empreendimentos, do crescimento da cidade. Você muda de uma via local para uma via coletora o material, aí você tem que rever a pavimentação e, às vezes, também a drenagem que acaba não sendo adequada”, explica.

Prefeitura promete correções

Em nota, a Secretaria Municipal de Serviços Públicos prometeu que uma equipe técnica vai vistoriar os cinco endereços apontados pela reportagem, dentro de um prazo de sete dias úteis. Depois disso, os problemas identificados vão ser corrigidos.

O município afirma que, nestas ruas, a prioridade geralmente é o reassentamento das pedras. Já os asfaltamentos são feitos em locais onde se avalia haver risco para a segurança dos motoristas. No caso de vias tombadas, nenhuma modificação pode ser feita.

A CBN também questionou sobre os critérios técnicos para os reparos das ruas, bem como a estratégia para asfaltar ruas com piso de pedra. A Prefeitura diz não ser necessário remover os paralelepípedos para aplicar a massa asfáltica.

Nestes casos, diz que as pedras não usadas como base par ao pavimento que vai ser instalado, evitando retrabalho para a colocação de outras pedras. A pasta diz que o asfalto tem uma aderência maior e acaba se fixando sobre o paralelepípedo.

Quais ruas estão tombadas?

A CBN também perguntou à Prefeitura quais ruas estão tombadas atualmente pelo patrimônio histórico e cultural. Segundo a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, as vias de paralelepípedos protegidas são as da Vila Industrial e do Cambuí, por força do Processo de Estudo de Tombamento n. 01/25.

No Centro Histórico, as ruas de paralelepípedo inseridas no perímetro estão protegidas pela Resolução de Tombamento n. 01/88.

A pasta diz que, para todas as vias sobre as quais existe restrição patrimonial, os trabalhos de manutenção e conservação são permitidos, desde que analisados e liberados previamente pelo Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas).

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