A Polícia Federal anexou imagens de câmeras de segurança no inquérito que apura o furto de amostras de materiais biológicos na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em fevereiro de 2026. A informação foi confirmada pelo g1 Campinas.
As gravações mostram movimentações consideradas atípicas da pesquisadora Soledad Palameta Miller e do marido dela, o doutorando Michael Edward Miller, em áreas restritas do Laboratório de Virologia da universidade.
Os registros foram feitos à noite, aos finais de semana e em períodos de recesso. Michael é gravado acessando os ambientes sem os equipamentos de proteção individual que são exigidos, em áreas de classificação de segurança máxima NB-3.
Dentre os materiais manipulados no local estão amostras de vírus como dengue, chikungunya, zika, H1N1 e coronavírus humano.
As imagens não registram o momento em que os frascos de vírus são retirados dos biofreezers. Entretanto, no relatório de incidente que integra o processo, a Polícia Federal fala em “indícios de retirada do material”.
Já a pesquisadora Soledad Miller, é gravada circulando por áreas com risco biológico NB-2 e NB-3. Em janeiro de 2025, ela se desligou do grupo de pesquisa do qual fazia parte, e por isso, a Polícia afirma se tratar de “ingresso não autorizado em ambiente controlado”.
A corporação também afirma que, embora não haja registro do momento exato de extração dos frascos, a combinação entre as imagens, os dados de acesso biométrico e o sumiço imediato do material sustentam os indícios de autoria do furto contra o casal.
Segundo a Polícia, a hipótese de terrorismo biológico foi descartada, já que a motivação seria relacionada a pesquisa internas do casal. A PF também garante que todas as amostras foram recuperadas e que não houve contaminação externa.
Soledad Miller responde ao processo em liberdade provisória e está proibida de acessar os laboratórios. Ela também é alvo de uma sindicância interna na Unicamp. Já Michael Miller é investigado pelo furto do material.
Soledad pode responder por furto qualificado, fraude processual, perigo para a vida ou saúde de outrem e manutenção ou transporte irregular de organismos geneticamente modificados.
Com informações de Yasmin Castro e Gabriella Ramos/g1 Campinas
