A Polícia Federal pediu o indiciamento de 15 pessoas por Atentado contra a Segurança do Transporte Aéreo e uma por falsidade ideológica, nas investigações do voo 2283, da VoePass.
A divulgação do relatório do inquérito foi realizada em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (6) na Superintendência Regional da Polícia Federal de São Paulo. Os indiciamentos representam a caracterização de crimes das 16 pessoas que tiveram alvum tipo de ação ou omissão que puseram a segurança das operações das aeronaves em risco.
Entre os pedidos de indiciamento estão o diretor-presidente da VoePass, o diretor de manutenção da companhia aérea, o diretor de operações, o diretor de segurança operacional, despachantes e comandantes que não teriam omitido o registro de problemas em livros de bordo.
Para chegar a estas conclusões, a Polícia Federal utilizou diversas fontes como a perícia realizada no local do acidente, vídeos de cinegrafistas amadores, registros de dados e de voz da caixa preta, livros de manutenção, habilitações junto à Anac e registros meteorológicos.
Um dos pontos enfatizados como contribuintes para o acidente aéreo está a “cultura de não reporte”. Segundo a Polícia Federal, problemas similares com o sistema de degelo do avião foram registrados em três voos anteriores, mas não foram registrados pelos livros de bordo.
O relatório também aponta a conduta deliberada da equipe de manutenção da VoePass em orientar aos pilotos que não registrassem os problemas nos livros de bordo, para impedir que as aeronaves deixassem de voar.
A lista com 16 nomes vai ser enviada ao Ministério Público Federal, que deve oferecer denúncia pelos crimes apontados pela Polícia Federal.
A queda do voo 2283 da VoePass ocorreu em Vinhedo, em 9 de agosto de 2024, e matou 58 passageiros e quatro tripulantes. A aeronave fazia o voo entre Cascavel e Guarulhos. O acúmulo de gelo sobre uma das asas provocou a perda de sustentação e do controle da aeronave, cerca de 20 minutos antes do pouso.
