A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) abriu um processo administrativo contra o Consórcio Bus+, responsável pelas linhas intermunicipais da Região Metropolitana de Campinas. A medida foi tomada após a identificação de irregularidades durante uma fiscalização realizada desde março deste ano.
Segundo a agência, o procedimento pode resultar na caducidade do contrato, penalidade que prevê a perda da concessão do serviço.
De acordo com a Artesp, a fiscalização vistoriou toda a frota operada pelo consórcio e avaliou itens como as condições dos veículos, cumprimento dos horários previstos e lotação das linhas.
A agência informou que decidiu abrir o processo por causa de descumprimentos contratuais e pela falta de apresentação de um plano de melhorias por parte da empresa.
O caso ocorre em meio a uma série de reclamações de passageiros da região sobre atrasos, superlotação, redução de horários e falhas na operação dos ônibus metropolitanos.
Em nota, a Artesp afirmou que o processo administrativo foi instaurado após a identificação das irregularidades e que a medida poderá resultar na perda da concessão, conforme previsto no contrato e no conjunto de penalidades aplicáveis ao serviço.
Atualmente, o Consórcio Bus+ opera 408 ônibus na Região Metropolitana de Campinas e informa atender cerca de 3,2 milhões de passageiros por mês, realizando aproximadamente 130 mil viagens mensais.
Nas últimas semanas, usuários relataram problemas frequentes em linhas que ligam Campinas a cidades como Hortolândia e Sumaré. As principais reclamações envolvem atrasos constantes e falta de ônibus, principalmente no período da noite.
Dados da própria Artesp mostram que, entre março e agosto deste ano, a linha 654, que liga o Terminal Rodoviário de Sumaré ao Shopping Iguatemi, em Campinas, acumulou 840 registros de problemas. Desse total, 94% estavam relacionados a atrasos ou à ausência de veículos nos horários programados.
Em resposta a essas reclamações, o Consórcio Bus+ afirmou anteriormente que enfrenta dificuldades para contratar motoristas e informou que trabalha em um programa voltado à formação de novos condutores.
Procurado sobre a abertura do processo administrativo, o consórcio não comentou o caso.
