Os vendavais e temporais registrados neste final de inverno levantaram a preocupação sobre a saúde das árvores.
Só entre domingo (30) e terça-feira (1º), pelo menos 54 exemplares sadios caíram em razão da força do vento. Para a Prefeitura, provam que planta saudável também pode tombar.
Onze deles apenas na madrugada e manhã de terça, quando a cidade registrou 31 milímetros de chuva e ventos de 30 km/h.
Mas para a cidade que tem centenas de milhares de árvores, saber como cada uma delas está ainda é um mistério.
Parte das respostas começam a sair de um documento produzido há dois anos, o “Guia de Arborização Urbana”, da Prefeitura de Campinas.
Segundo a Administração, o inventário já tem mais de 150 mil árvores monitoradas. O trabalho é feito diariamente por 24 equipes, que avaliam cerca de cinco mil árvores por mês.
Cada árvore é registrada em relação a espécie, porte, saúde e risco de queda. Esses dados são usados para decidir se é necessário ou não fazer um manejo.
O veredito final é dado pela análise dos troncos e das raízes, com o uso de equipamentos como ultrassom e tomógrafo sônico.
Ainda de acordo com a Prefeitura, as eventuais podas ou remoções só são realizadas após a emissão de laudos técnicos que justifiquem a necessidade.
Mas ambientalistas de Campinas questionam o modelo de publicização das informações. No site do Departamento de Parques e Jardins, o único link disponível dá acesso a um mapa georreferenciado onde se vê uma lista de árvores por endereço, sem detalhamento sobre o estado de saúde das plantas.
O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Ivan André Alvarez, diz que o levantamento não é qualiquantitativo, o que não permite concluir qual o estado de saúde de cada árvore. Ele também cobra a divulgação dos dados.
A relatora do Comdema (Conselho Municipal de Meio Ambiente), Tereza Penteado, questiona o fato de nem todas as árvores passarem pelo grau mais alto de análise da saúde, o nível 3.
A CBN procurou o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella. Questionado sobre o site da Prefeitura não informar a condição detalhada das árvores monitoradas, Paulella rebateu e afirmou que os dados são públicos, podem ser acessados por meio de requisição no 156. O titular também ponderou que o levantamento é, sim, qualiquantitativo.
Paulella também afirmou que a Prefeitura segue orientações da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), e que os técnicos dão a palavra final sobre a necessidade de aprofundar ou não a condição de cada árvore para emitir um laudo.
Apesar de o número de equipes ter sido quadruplicado, perguntamos ao secretário se o número é suficiente para a estimativa de 600 a 700 mil árvores adultas na cidade.
Paulella reconheceu que, apesar de ser o terceiro maior orçamento da cidade, a Secretaria também precisa lidar com o teto orçamentário.
Segundo a Prefeitura, outras ações estão em andamento, como o Plano Local de Ação Climática e o Plano Local de Resiliência e Redução de Riscos de Desastres.
ATUALIZAÇÃO: Em nota divulgada às 19h08 de 01.set.2026, a Prefeitura de Campinas atualizou o número de quedas em 24 horas para 21 árvores ou galhos.
