A Polícia Civil faz nesta quinta-feira (3) a segunda fase da Operação Avaritia, que investiga um esquema de fraudes em financiamentos concedidos pela Desenvolve SP, agência de fomento do Governo de São Paulo.
A ação foi realizada pelo Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro (Neccold), da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Campinas.
Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Mogi das Cruzes, Suzano, Barueri e Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada, documentos falsos e alterações societárias simuladas para obter empréstimos de forma irregular junto à Desenvolve SP. Depois da liberação dos recursos, o dinheiro era transferido para contas de terceiros e movimentado por meio de diversas transações financeiras, numa estratégia que, de acordo com a Polícia Civil, tinha o objetivo de ocultar a origem dos valores.
As apurações apontam a existência de dois núcleos de atuação. O chamado núcleo operacional seria responsável pelo contato com empresários interessados nos financiamentos, pela condução dos pedidos de crédito e pela movimentação dos recursos obtidos. Já o núcleo documental teria produzido alterações contratuais, registros societários, balanços contábeis, procurações e outros documentos usados para dar aparência de legalidade às operações.
Os policiais buscaram documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros que possam ajudar a identificar os beneficiários do esquema, rastrear o destino do dinheiro e localizar bens adquiridos com recursos supostamente obtidos de forma ilegal.
A investigação é um desdobramento da primeira fase da Operação Avaritia, realizada em outubro de 2023. Na ocasião, a Polícia Civil identificou três empresas consideradas fantasmas que teriam conseguido cerca de R$ 5 milhões em financiamentos da Desenvolve SP sem intenção de quitar os empréstimos.
Na época, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em cidades da região de Campinas e da Grande São Paulo. Também houve apreensão de veículos, joias, aparelhos eletrônicos e documentos, além de pedidos de bloqueio de bens.
Segundo a Polícia Civil, o prejuízo inicialmente identificado era de R$ 5 milhões, mas as investigações apontavam que o valor poderia chegar a R$ 40 milhões com o avanço das apurações.
Os investigados poderão responder por crimes como estelionato, falsidade ideológica, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Polícia Civil ressaltou que as investigações seguem em andamento e que os suspeitos têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
