O vereador de Itatiba Carlos Eduardo de Oliveira Franco, conhecido como Duguaca (MDB), se manifestou nas redes sociais depois de ser alvo de mandados de busca e apreensão da Operação Nexus. A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Baep, da Polícia Militar.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar negou as suspeitas de associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Segundo ele, as câmeras de monitoramento citadas na investigação foram instaladas em praças, quadras esportivas e áreas de lazer para combater vandalismo e ampliar a segurança da população.
O vereador afirmou que policiais estiveram na casa onde mora durante a manhã, além de realizarem buscas em uma associação de moradores e no gabinete na Câmara Municipal. Segundo ele, nenhum material ilícito foi encontrado nos locais.
Na gravação, Duguaca disse que a investigação relaciona o sistema de monitoramento comunitário ao suposto repasse de informações para integrantes do tráfico de drogas, acusação que ele contestou.
O parlamentar afirmou ainda que as câmeras instaladas por meio de projetos comunitários monitoram equipamentos públicos, bebedouros, quadras esportivas e áreas frequentadas por moradores. Também declarou que mora de aluguel no bairro Parque São Francisco e negou qualquer relação com patrimônio de luxo citado durante a divulgação da operação.
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que o Ministério Público detalhou o andamento da investigação. Segundo o Gaeco, o vereador é investigado por suposta participação no núcleo de monitoramento da organização criminosa. A apuração busca esclarecer se imagens e informações sobre a movimentação das forças de segurança eram repassadas ao grupo investigado.
Ao todo, a Operação Nexus terminou com seis prisões, sendo cinco por mandados judiciais e uma em flagrante. O vereador foi alvo somente de mandados de busca e apreensão.
Em nota, a Câmara Municipal de Itatiba informou que colaborou com as autoridades durante o cumprimento dos mandados. O Legislativo afirmou que, pelas informações disponíveis até o momento, a investigação não envolve a atuação institucional da Câmara nem o exercício do mandato parlamentar. A nota também destacou a garantia do devido processo legal e da presunção de inocência.
A operação

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão e 26 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram em Itatiba, onde foram cumpridos 23 mandados de busca, e em Campinas, com três mandados.
Além das prisões, os investigadores apreenderam celulares, computadores, tablets, diversas porções de drogas e aproximadamente R$ 177 mil em espécie. Também foram recolhidos talões de cheque, notas fiscais, livros de contabilidade e cinco veículos de luxo.

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou uma estrutura dividida em núcleos responsáveis pelo comando da organização, lavagem de dinheiro, monitoramento, logística, distribuição de drogas e pontos de venda.
O principal alvo da operação, conhecido como Tim, foi preso em um condomínio de alto padrão em Itatiba, junto com a esposa. Segundo os investigadores, ele integra o PCC e atuava nos núcleos de comando e lavagem de dinheiro.
Outra frente da operação teve como alvo um policial militar. Os mandados foram cumpridos pela Corregedoria da Polícia Militar, por suspeita de ligação com o principal investigado. Durante a apuração, ele permanece afastado da função.
A operação contou com 167 policiais militares e 44 equipes táticas do 1º e 10º Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baep). A ação teve o apoio da Corregedoria da PM e da base de aviação da corporação.
Loja de carros lavava dinheiro em Campinas
Em Campinas, um dos alvos foi uma loja de veículos localizada na Avenida José Bonifácio, no Jardim das Paineiras. O estabelecimento é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro. Outras duas lojas em Itatiba também foram alvo da operação.
