Depois de dois meses consecutivos de queda, o preço da cesta básica voltou a subir em Campinas. Segundo levantamento do Observatório PUC-Campinas, o custo médio dos 13 produtos considerados essenciais chegou a R$ 882,86 em setembro, uma alta de quase 6% na comparação com agosto deste ano. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o aumento foi de 14%.
Em janeiro, a cesta básica custava R$ 790,47. Nove meses depois, o valor aumentou R$ 92,39, o equivalente a 11,69%. Em comparação com o mesmo período de 2025, o aumento foi de R$ 20,26, o que representa 2,69%.
Segundo o levantamento, o principal responsável pela alta foi o tomate, que ficou 57% mais caro em apenas um mês. A batata também registrou aumento de 30,02%. Outros itens que ficaram mais caros foram o arroz (5,92%), o óleo de soja (2,98%), o pão francês (2,95%) e a carne (1,38%).
Em entrevista à CBN Campinas, Pedro Costa, pesquisador do Observatório da PUC-Campinas, explica que as baixas temperaturas e o excesso de chuvas prejudicaram a produção de alimentos mais sensíveis, como o tomate e a batata.
Apesar da alta registrada na maioria dos produtos, alguns itens apresentaram redução de preço em setembro. As maiores quedas foram da banana, com recuo de 8,18%, e do feijão, que ficou 5,14% mais barato.
Também houve redução nos preços do café (-2,52%), do leite (-2,09%), da farinha (-1,86%), da manteiga (-1,14%) e do açúcar (-1,02%).
O levantamento também mostra o peso da cesta básica no orçamento dos trabalhadores. Com o salário mínimo em R$ 1.621, uma cesta básica de R$ 882,86 consome mais da metade da renda mensal.
De acordo com o pesquisador, o salário mínimo perdeu poder de compra na comparação com setembro do ano passado. Ele afirma que, apesar dos reajustes anuais, o trabalhador hoje precisa comprometer uma parcela maior da renda para comprar os mesmos produtos da cesta básica.
Pedro afirma que as altas do tomate e da batata tiveram forte influência nesse resultado. O acompanhamento desses indicadores é fundamental para avaliar se os reajustes salariais estão acompanhando o aumento do custo de vida.
Os dados mostram que a alta da cesta básica em Campinas acompanha o cenário observado em grande parte da região Sudeste.
Em setembro, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória também registraram aumento no custo dos alimentos essenciais, enquanto Belo Horizonte foi a única capital do levantamento a apresentar queda.
De acordo com o levantamento, em comparação com outras cidades do Brasil, Campinas aparece entre os locais com os maiores aumentos acumulados no ano.
Segundo o levantamento, a cesta básica já ficou 4,6% mais cara desde janeiro, índice inferior apenas ao registrado em Porto Alegre.
