Uma abordagem da Polícia Militar na comunidade Vitória Pantanal, em Piracicaba, passou a ser investigada após denúncias de que policiais teriam obrigado três suspeitos de tráfico de drogas a vestir camisetas de campanha do presidente Lula (PT) antes de serem levados à delegacia.
As acusações foram feitas por moradores, familiares dos detidos e pela deputada estadual Professora Bebel (PT). Segundo os relatos, a situação teria sido forjada pelos agentes. Também houve denúncias de agressões e constrangimentos durante a ação.
A ocorrência aconteceu na quarta-feira (21). Na ação, dois homens, de 21 e 24 anos, foram presos, e um adolescente de 17 anos foi apreendido.
Segundo a Polícia Militar, a operação começou após uma denúncia recebida pelo telefone 190. O relato informava que três pessoas estariam vendendo drogas na comunidade e usando camisetas alusivas à campanha eleitoral. Um dos suspeitos também estaria armado.
A corporação informou que apreendeu um revólver calibre 32 com numeração raspada, 160 porções de cocaína e R$ 340 em dinheiro. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piracicaba como tráfico de drogas, porte ilegal de arma e ato infracional.
A mãe do adolescente apreendido afirmou que o filho é usuário de drogas e negou que ele trabalhe em campanhas políticas. Ela também acusou policiais de entrarem na residência da família e agredirem uma filha de 14 anos durante a ocorrência.
A Secretaria da Segurança Pública informou que não compactua com desvios de conduta e que determinou uma apuração preliminar sobre as denúncias.
A Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo informou que abriu procedimento sobre o caso e pediu à Corregedoria da PM informações sobre as medidas adotadas. O órgão também solicitou o afastamento dos policiais envolvidos das atividades operacionais até a conclusão das investigações.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública também entrou no caso. A pasta enviou ofícios à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, à Corregedoria da Polícia Militar e à Ouvidoria das Polícias pedindo informações sobre a ocorrência e as providências adotadas.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que tomou conhecimento das denúncias divulgadas nas redes sociais e que os fatos serão analisados pelos procedimentos internos cabíveis. A corporação disse ainda que atua com legalidade, imparcialidade e respeito aos direitos fundamentais.
A defesa de um dos policiais envolvidos contestou as acusações e afirmou que a versão divulgada não retrata corretamente o contexto da ocorrência. Os advogados defenderam uma apuração imparcial e solicitaram a preservação do áudio da denúncia feita ao 190.
O caso segue sob investigação.
