Eles são cada vez mais comuns nas ruas e avenidas de Campinas: são os autopropelidos, bicicletas e ciclomotores, os veículos de duas ou três rodas impulsionados por eletricidade.
Os mais populares e com preço mais acessível são os autopropelidos, que cada vez mais se aproximam do design das motos tradicionais.
Eles têm uma largura máxima de 70 centímetros e distância entre eixos de até 1,30 metro e potência limitada a 1000W, que na prática representam mais ou menos 32 km/h. Não precisam de CNH, nem de emplacamento.
Na prática, são muito procurados por quem busca praticidade para estacionar e economia nos pequenos deslocamentos do dia a dia.
Mas a imprudência de alguns condutores que insistem em se arriscar em meio aos automóveis começa a preocupar motoristas e a fiscalização de trânsito.
O Raphael é vendedor em uma rede de concessionárias de uma fabricante chinesa, e ressalta que todos os compradores deixam a loja orientados sobre as regras de trânsito.
“Isso é conversado em loja, então a gente explica para o cliente como funciona, para cada modelo em específico. Então a nossa versão menor, que é o autopropelido, cara, você vai ter que tomar mais cuidado, porque é uma coisa que está andando a 20 km/h, não a 60 ou 70, que é a média hoje de um campineiro andando com os carros ou motos. Hoje, toda moto que nós temos as versões menores vem com uma placa. Nessa placa que nós temos, a gente usa um QR codezinho, que nesse QR code, quando você bate, existe a nossa loja e existe também toda a resolução do Contran”, explica.
Segundo a Emdec, tem crescido o número de flagrantes de condutores que também se arriscam na velocidade. Hoje, os autopropelidos têm a velocidade regulamentada por lei de até 32 km/h, mas alguns veículos já foram flagrados ultrapassando a marca dos 50 km/h.
Raphael explica, por exemplo, que a fabricante implementou recursos tecnológicos para dificultar o desbloqueio de velocidade. O prejuízo também fica por conta da autonomia.
“Hoje a marca vem com um sistema de desbloqueio que é, você não vai conseguir. Então é bem raro a gente pegar algum cliente que sabe fazer, o que conversou com alguém que sabe, porque não é no botão. Então, assim, é parte interna, você vai mexer na configuração da moto, é bem mais complicado. Então, assim, o cara, a pessoa vai ter que entender o que é o que está mexendo”, detalha.
Com isso, aos poucos, os veículos de impulsão elétrica vão ganhando regulamentações. Além dos autopropelidos, o mercado ainda tem os ciclomotores e as bicicletas elétricas.
Por não possuírem velocidade compatível com grandes ruas e avenidas, a orientação é de utilizá-los em ciclofaixas, se a velocidade máxima de 25 km/h comportar, ou mesmo em calçadas e vias de baixa velocidade.
Os ciclomotores, por sinal, ganharam uma importante regulamentação nesse ano, que é a exigência de registro e emplacamento, além da habilitação ACC ou categoria A.
Ainda assim, cabe o bom senso do condutor. No caso do excesso de velocidade, a Emdec afirma que as sanções podem, sim, ser aplicadas aos condutores flagrados cometendo alguma irregularidade pelos amarelinhos. É o que explica o coordenador de Operação e Fiscalização de Trânsito, Marcelo Carpenter Ferreira.
“Se esses veículos, né, que são chamados de autopropelidos, estão sendo registrados em radares que, que a velocidade é, é amparada a 50 ou a 60 km/h, automaticamente a gente entende que esse autopropelido, ele já perdeu a característica de autopropelido, né, já passou ali para um ciclo-motor, pela sua velocidade. Então requer, realmente, a abordagem de um fiscal, para a gente poder, então, fazer a constatação in loco ali com relação à sua amperagem, à sua velocidade mínima e também as dimensões, né, do autopropelido que, que ficar de largura até 70 cm e entre eixos até 130, então se passou dessas medidas, a gente já enquadra em outra categoria e é possível, então, a fiscalização e a remoção via guincho”, pontua.
Para o especialista em Segurança Viária, Luiz Vicente Figueira de Mello, ainda é necessário avançar sobre outro assunto: a conexão entre os sistemas cicloviários. A estratégia é garantir que o condutor não se veja inclinado a disputar espaço com os carros.
“O ponto-chave é que, além dessa quantidade de veículos que estão sendo comercializados, a infraestrutura da cidade deve ser compatível a ela. O que significa isso? Que ciclovias, ciclofaixas, áreas calmas até 40 km/h, precisam estar interligados e sinalizados de modo que as pessoas possam circular na cidade de Campinas e região sem riscos relacionados a conflitos com outros veículos maiores, como automóveis, ônibus, motocicletas e caminhões”, argumenta.
Em São Paulo, na semana passada, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e a GCM (Guarda Civil Metropolitana) iniciaram a aplicação de multas sobre condutores de bicicletas e patinetes elétricos em irregularidades. Nesse caso, a multa vai para o número do CPF.
Em Campinas, as regras para fiscalizar ciclomotores e bicicletas elétricas são as da Resolução 996 do Contran.
No caso dos autopropelidos, a Emdec ainda estuda uma regulamentação, já que a fiscalização é de responsabilidade dos municípios.
