A Justiça decretou a prisão preventiva do presidente da Câmara de Sumaré, Hélio Silva, do Cidadania, por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas. A decisão, tomada nesta terça-feira, dia 3, também afastou o vereador da presidência do Legislativo por 180 dias.
O juiz Leonardo Delfino aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou Hélio réu por associação para o tráfico, dois crimes de tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo e munições.
Outros dois investigados, Maikon Baptista da Costa e Admilson da Silva, também viraram réus e tiveram a prisão preventiva decretada. Segundo a investigação, os dois seriam responsáveis pela venda das drogas.
Hélio Silva, de 55 anos, estava preso desde 9 de setembro, quando foi alvo da Operação Archimagus. A ação foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, a Ficco, de Campinas.
De acordo com a investigação, o vereador era conhecido como Mister M e teria financiado a compra, o armazenamento e a distribuição de drogas. Os entorpecentes teriam sido guardados em um sítio em Jacutinga, no Sul de Minas Gerais, e levados para pontos de venda em Sumaré.
A Justiça considerou que havia indícios de que Hélio coordenava o esquema. A apuração identificou encontros frequentes entre o vereador e outros investigados em uma padaria que pertencia a ele. O comércio ficava perto de dois pontos de venda de drogas.
Em um carro oficial da Câmara, guardado na garagem da avó do vereador, a polícia encontrou dois celulares e R$ 6,7 mil. Um dos aparelhos tinha mensagens sobre pagamentos e negociações de substâncias usadas na adulteração e no preparo de cocaína.
A investigação também encontrou, no gabinete da presidência da Câmara, extratos bancários de um homem que morreu em 2022. Na época, a polícia localizou na casa desse homem produtos usados no preparo da droga.
Áudios atribuídos ao filho do vereador citaram um ponto de venda ligado a Hélio. Fotografias encontradas em um celular mostraram uma grande quantidade de dinheiro na residência do parlamentar. As mensagens também indicaram transferências bancárias determinadas pelo vereador.
No sítio de Hélio, a polícia apreendeu um revólver furtado. As outras armas registradas em nome dele como colecionador, atirador e caçador não estavam no endereço informado para armazenamento.
Para decretar a prisão preventiva, o juiz considerou a frequência das atividades investigadas, a quantidade de dinheiro envolvida, o possível uso da estrutura da Câmara, a presença de armas e o risco de intimidação de testemunhas.
Hélio já estava afastado da Câmara por iniciativa própria. A decisão judicial proibiu o acesso dele às dependências do Legislativo e o uso de veículos, servidores, sistemas e outros recursos públicos.
A Justiça avaliou que a prisão não impediria o vereador de exercer influência por meio de assessores, servidores de confiança e familiares. Apesar do afastamento, Hélio poderia continuar recebendo o salário. Uma eventual suspensão do pagamento dependeria de uma decisão da Câmara.
A Câmara de Sumaré informou que foi notificada e que tomaria as medidas necessárias para cumprir a ordem. O primeiro vice-presidente, vereador Lucas Agostinho (União Brasil), já comandava a Casa de forma interina.
Na Operação Archimagus foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão em Sumaré, Campinas e Vinhedo, no interior de São Paulo, e em Jacutinga, em Minas Gerais.
Na casa de Hélio, os agentes apreenderam uma pistola calibre 380, uma carabina, 105 munições, R$ 18.215, documentos, joias, relógios e cinco celulares. Em outros endereços, foram encontrados R$ 6,7 mil, um celular e 892 gramas de maconha.
A defesa de Hélio Silva não tinha se manifestado. As defesas de Maikon Baptista da Costa e Admilson da Silva não foram localizadas.
