Sete pessoas foram presas e outras três são procuradas na operação contra um esquema de agiotagem que fez pelo menos 62 vítimas na região de Campinas. Durante a ação, realizada nesta sexta-feira, o Gaeco e as polícias Civil e Militar também apreenderam 10 armas, cerca de R$ 140 mil em dinheiro, além de dólares e euros.
De acordo com o Ministério Público, a Operação Shylock foi realizada para cumprir 10 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. As ações ocorreram em imóveis residenciais e comerciais, principalmente nos bairros Cambuí, Jardim Chapadão, Parque Prado, Nova Campinas, Nova Europa e Taquaral. A operação também teve desdobramentos em Florianópolis, em Santa Catarina, e Londrina, no Paraná.
As investigações revelaram que o grupo chegava a dificultar o pagamento das dívidas para tomar os imóveis oferecidos como garantia. Segundo o Ministério Público, os suspeitos procuravam pessoas que precisavam de empréstimos e tinham imóveis em seus nomes.
Os contratos previam juros de 1% ao mês, mas, na prática, a cobrança chegava a aproximadamente 3%. Em alguns casos, mesmo quando as vítimas continuavam pagando, o grupo deixava de reconhecer os depósitos e cobrava valores ainda maiores.
De acordo com a investigação, pelo menos 18 vítimas perderam imóveis para a organização criminosa. A maioria das propriedades era de médio e alto padrão. Entre os presos está um escrevente de um cartório de notas de Campinas. Ele é suspeito de facilitar a elaboração dos contratos que davam aparência de legalidade aos empréstimos.
O Ministério Público também pediu o bloqueio de cerca de R$ 3 milhões em contas dos investigados, além de medidas para impedir que outras vítimas percam seus imóveis.
O esquema foi descoberto depois que uma das vítimas procurou o Ministério Público e apresentou documentos sobre os empréstimos. A investigação deve continuar para identificar outros envolvidos e possíveis novas vítimas.
O Gaeco informou que pretende apresentar as primeiras denúncias à Justiça rapidamente. O material apreendido também será analisado para identificar os líderes da organização.
Em nota, o escritório Alex Lúcio Advogados, que representa o escrevente, informou que pediu acesso aos autos da investigação e que só vai se manifestar após analisar o conteúdo do processo, que tramita sob sigilo.
Já o 4º Cartório de Notas de Campinas afirmou que não é alvo da operação e não tem envolvimento com os fatos investigados. Segundo o cartório, a investigação envolve exclusivamente um funcionário, por fatos que a instituição afirma desconhecer. O estabelecimento também informou que os serviços seguem funcionando normalmente.
