A grande incidência de acidentes, mortes e denúncias contra a indústria da construção civil em Campinas e região levou um grupo de vereadores a convocar os representares do setor para uma audiência pública no plenário da Câmara. O evento aconteceu nesta quinta-feira e reuniu representantes do Sindicato dos Trabalhadores e da classe patronal, além do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego. Na opinião de João Batista Amâncio, Auditor Fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego, um dos principais problemas no setor é a terceirização da mão de obra.
Para o Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil , Francisco Aparecido da Silva, as empresas tem que cumprir os cronogramas apertados e com isso deixam de lado a segurança dos trabalhadores. Além disso, quando são autuadas pelos órgãos fiscalizadores as multas trabalhistas são irrisórias na comparação com as previstas nos contratos para a entrega da obra. A falta de fiscalização também é apontada com um grande problema no setor.
Segundo João Batista Amâncio, Auditor Fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego para atender 37 municípios da região administrativa, são apenas 7 auditores fiscais. Na Prefeitura de Campinas a situação não é diferente.
De acordo com o vereador Pedro Tourinho , são apenas quatro engenheiros para fiscalização dos canteiros de obras na cidade . Diante das inúmeras falhas apresentadas no setor, os parlamentares anunciaram a criação de uma Comissão Especial de Estudos da Construção Civil. A comissão será presidida pelo vereador Carlinhos Camelô.
Para lembrar a morte dos cinco trabalhadores ocorridas em março, em Campinas, Americana e Hortolândia, o sindicato da categoria vai promover neste sábado , dia 13 de abril , uma grande manifestação no Largo da Catedral. O evento está programado para começar às 10 horas da manhã.
Afastados
Campinas possui atualmente 500 trabalhadores da construção civil afastados pelo INSS. A informação foi revelada ontem pelo Centro de Referência em Saúde de Trabalhador, em uma audiência realizada na Câmara com o intuito de debater as mortes na área de Campinas e região. Somente neste ano, foram registrados cinco casos de morte em construção civil na Região Metropolitana, sendo três em Campinas.
