A substância responsável pela morte de três pacientes que passaram por um exame de ressonância magnética no Hospital Vera Cruz, em Campinas, não deveria ser usado em procedimentos médicos. A afirmação é da diretora da Vigilância Sanitária de Campinas, Brigina Kemp. O perfluorocarbono, que foi injetado acidentalmente na veia dos pacientes por uma auxiliar de enfermagem, é destinado para uso industrial, segundo as informações repassadas pelo fabricante. A Ressonância Magnética Campinas, empresa responsável pelos exames no Hospital Vera Cruz, reutilizava embalagens vazias de soro fisiológico para armazenar a substância.
O produto era utilizado na clínica para exames na região pélvica, sem contato direto com o paciente. O soro fisiológico e o perfluorocarbono são substâncias parecidas, líquidas e transparentes e estavam armazenadas em um mesmo armário, separadas por uma gaveta. Uma auxiliar de enfermagem, já identificada pela polícia, estava em período de treinamento na unidade e confundiu as duas substâncias. Ela injetou o perfluorocarbono na veia dos pacientes, o que provocou uma embolia gasosa. De acordo com a diretora da Vigilância Sanitária de Campinas, Brigina Kemp, o produto nem mesmo é inspecionado pela Anvisa, porque não é indicado para o tratamento de pacientes.
A polícia civil de Campinas informou que vai analisar o inquérito antes de apontar quem foram os responsáveis pelas mortes dos pacientes. A empresa RMC ainda não se pronunciou sobre a conclusão da polícia.
