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Antibióticos são encontrados no Rio Piracicaba e pesquisa da USP aponta planta como solução para limpeza

Estudo identifica mais de 10 tipos de medicamentos na água e revela potencial de planta aquática no combate à poluição
Antibióticos são encontrados no Rio Piracicaba e pesquisa da USP aponta planta como solução para limpeza
Foto: Reprodução/EPTV

Pesquisadores da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, identificaram a presença de mais de 10 tipos de antibióticos em níveis elevados na água do Rio Piracicaba, um dos principais símbolos naturais e culturais da cidade.

O estudo acende um alerta sobre os impactos invisíveis da poluição. Além de resíduos sólidos, como garrafas e lixo doméstico, o rio também concentra micropartículas e substâncias químicas que não podem ser vistas a olho nu, mas que representam riscos ao meio ambiente e à saúde humana.

Segundo o ecólogo e pesquisador Valdemar Tornisielo, a presença de antibióticos no ambiente aquático pode provocar um efeito preocupante: o surgimento de bactérias resistentes a medicamentos.

“Aí quando a pessoa adoece não consegue se curar de uma doença que teoricamente seria simples.”

A pesquisa identificou esses compostos em peixes da espécie lambari, além de sedimentos e plantas aquáticas. A equipe conseguiu medir a concentração dos antibióticos em diferentes partes do ecossistema.

“E com isso a gente conseguiu quantificar o quanto tinha de cada antibiótico na água, nos peixes, no sedimento.”

Outro ponto importante do estudo foi a descoberta do potencial de uma planta aquática bastante comum na região: a salvínea, também conhecida como orelha-de-onça. Apesar de ser considerada praga em algumas situações, ela demonstrou capacidade de absorver grande quantidade dos poluentes presentes na água.

Esse comportamento pode abrir caminho para soluções sustentáveis no tratamento de rios e sistemas de saneamento, utilizando a própria natureza como aliada na descontaminação.

“Os resultados que nós obtivemos são bastante promissores e indicam que a gente pode pensar, talvez, construir sistemas que utilizem plantas aquáticas para retirar esses poluentes da água.”

O estudo foi publicado no início deste ano em uma revista científica internacional e faz parte de um projeto financiado por instituições de pesquisa, incluindo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Os resultados reforçam a necessidade de ampliar o monitoramento da qualidade da água e investir em soluções inovadoras para combater a poluição.

Para especialistas, iniciativas como essa são fundamentais para garantir a preservação do Rio Piracicaba e a segurança ambiental das próximas gerações.

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