O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta quinta-feira (9), em visita à região de Campinas, que o governo estadual vai iniciar a licitação do Hospital Metropolitano e também contratar atendimentos na rede privada para reduzir filas, principalmente em consultas e exames especializados.
A nova unidade hospitalar é considerada uma das principais apostas para ampliar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde na região, que enfrenta pressão por leitos e alta demanda.
“Vamos primeiro falar da questão dos leitos. A gente hoje tem esse grande anúncio que é do início da licitação do Hospital Regional Metropolitano de Campinas, são 400 leitos, a gente tá falando de um hospital de grande porte”, disse o governador em entrevista à CBN Campinas.
O Hospital Metropolitano será construído em um terreno de 34,8 mil metros quadrados, no bairro Parque Itália, já doado pela Prefeitura ao Estado. O investimento previsto é de cerca de R$ 400 milhões.
A unidade deve atender cerca de 4,6 milhões de moradores e terá estrutura para média e alta complexidade, incluindo leitos clínicos, UTIs, centro cirúrgico e especialidades como oncologia, cardiologia e neurocirurgia.
Enquanto o hospital não fica pronto, o governo aposta em medidas imediatas para aliviar a rede.
“Com relação à medicina de especialidades, o que a gente vai fazer enquanto esses equipamentos não entram em operação? A gente fez um chamamento público para 2.700 procedimentos por mês. Esse chamamento já está pronto e agora é só operacionalizar”, afirmou.
Segundo o governador, os atendimentos serão realizados pela rede privada, com pagamento via tabela do SUS Paulista.
“A gente vai utilizar a rede privada remunerando via tabela SUS Paulista para dar conta de aliviar a pressão da medicina de especialidades nesse período.”
Além do novo hospital, o governo também prevê mudanças no financiamento do Hospital de Clínicas da Unicamp, que deve passar a receber mais recursos estaduais.
“A gente vai conseguir aumentar a quantidade de atendimentos no HC da Unicamp com esse fluxo maior de recursos.”
Segurança: foco em violência contra a mulher
Na área da segurança pública, Tarcísio destacou ações de enfrentamento à violência contra a mulher, com ampliação da estrutura de atendimento e uso de tecnologia.
“A gente está estruturando uma série de ações. Vamos ter um novo departamento da Polícia Civil dedicado à violência contra a mulher, reclassificação das DDMs e abertura de salas especializadas com atendimento 24 horas.”
Entre as medidas está o aplicativo Mulher Segura, que já soma mais de 50 mil usuárias no estado.
“A gente criou o aplicativo Mulher Segura, que já está sendo utilizado por mais de 50 mil mulheres. Quando ela aciona o botão do pânico, ela passa na frente de todo mundo no centro de operações.”
O governo também anunciou o uso de monitoramento eletrônico para evitar a reincidência de casos.
“A gente está usando geoprocessamento para monitorar o agressor. Se ele se aproxima da vítima, o alerta é emitido automaticamente.”
Educação: governo destaca resultados e responde a críticas
Durante a entrevista, o governador também comentou a paralisação de professores e afirmou que o movimento é minoritário, destacando resultados da rede estadual.
“Nós tivemos o melhor resultado na alfabetização na idade certa da nossa história, ganhamos selo ouro do MEC.”
Segundo ele, houve avanço também na frequência escolar.
“A gente saiu de 78% para 91% de frequência escolar, isso significa 300 mil alunos a mais na sala de aula por dia.”
O governador citou ainda a ampliação do ensino técnico e programas de acesso ao ensino superior, como o Provão Paulista.
Sobre a demanda por atendimento a alunos neurodivergentes, ele afirmou que o Estado já realiza novas contratações.
“A contratação de profissionais especializados já está acontecendo, a gente está ampliando bastante a quantidade de profissionais para dar esse suporte.”
Governo fala em foco no longo prazo
Ao final da entrevista, Tarcísio de Freitas afirmou que o governo trabalha com planejamento de longo prazo, mas reconheceu que há espaço para ajustes na gestão.
“Quando a gente pensa naquilo que passou, várias coisas a gente faria diferente, mas a gente está focado em investimentos de longo prazo.”
Segundo ele, o Estado precisa continuar ampliando a infraestrutura e os serviços públicos para acompanhar o crescimento da demanda.
“A infraestrutura que São Paulo construiu já é insuficiente, a gente precisa continuar avançando.”