Uma carta escrita à mão por Evelyne dos Santos Gonçalves, presa no caso da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, em Limeira, trouxe a versão dela sobre o que aconteceu e tentou afastar a responsabilidade na organização do evento.
No documento, entregue ao advogado, Evelyne afirmou que trabalhava como freelancer, apenas com vendas e divulgação dos saltos nas redes sociais.
Segundo a carta, toda a organização dos eventos era feita por Luis Felipe Feliciano Egoroff. Ela disse que ele coordenava a equipe, definia estrutura e era responsável por todas as decisões.
A investigada também afirmou que o dinheiro dos eventos ia diretamente para ele, incluindo pagamentos por cartão, Pix e contato com clientes.
Na carta, Evelyne disse que não tinha função na segurança, não participava da operação dos saltos e não tinha conhecimento técnico sobre os equipamentos.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu no dia 13 de junho depois de ser lançada de uma altura de cerca de 40 metros na Ponte do Esqueleto, em Limeira. Ela participava de um salto de rope jump, mas foi empurrada da plataforma sem a corda presa ao corpo.
A organizadora declarou que permaneceu o tempo todo na parte de cima da ponte e não desceu até o local da queda. Disse que ficou com medo da reação das pessoas e tentou pedir ajuda pelo rádio, sem resposta.
Ela também afirmou que não sabe onde está a câmera usada no salto e que o equipamento nunca esteve sob responsabilidade dela.
A Polícia Civil investiga o desaparecimento da câmera, considerada uma das principais provas do caso.
No segundo inquérito que apura o caso, a polícia já afastou a suspeita de que João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva teria retirado o equipamento. A investigação aponta que uma pessoa ainda não identificada pode ter levado a câmera logo após a queda.
A defesa de João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva informou que ele segue preso e aguarda a manifestação do Ministério Público e decisão da Justiça. Outro advogado disse que já tem parecer favorável em segunda instância para soltura imediata e tenta acelerar a decisão.
No primeiro inquérito, já concluído, foram indiciados Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, que aparecem no momento do salto.
No segundo inquérito, Evelyne dos Santos Gonçalves foi indiciada por homicídio com dolo eventual e fraude processual.
A defesa de Luis Felipe Feliciano Egoroff, citado diretamente na carta, disse que ainda não teve contato com o cliente sobre essas declarações e, por isso, ainda não se posicionou.
