Um escritório de advocacia de Campinas é investigado por suspeita de ficar com dinheiro de ações trabalhistas e previdenciárias que deveria ter sido repassado aos clientes. Segundo a Polícia Civil, o prejuízo pode chegar a quase R$ 6 milhões.
As investigações apontam que valores liberados pela Justiça eram depositados em contas ligadas aos advogados José Antônio Cremasco e Thaís Proença Cremasco.
Em seguida, o dinheiro era transferido para outras contas e empresas. A polícia apura a movimentação financeira, a responsabilidade de cada um dos investigados e o possível uso de empresas para ocultar recursos.
Felipe Costa de Araújo hoje é ambulante e há mais de 10 anos sofreu um acidente na empresa de pintura onde trabalhava. Foi demitido e moveu uma ação trabalhista. Ele diz que ganhou a ação em 2018, mas desconfiava que os valores recebidos pelo escritório não estavam sendo repassados.
Edson Vidotti, de 66 anos, moveu um processo trabalhista contra a Emdec em 2021 e ganhou. Os recibos comprovam que os pagamentos foram feitos em 6 parcelas, uma delas superior a R$ 200 mil, mas segundo ele, o escritório de advocacia não fez o repasse e recebeu só parte do que tinha direito.
À CBN Campinas, Thaís Cremasco afirma que o pai assinou, em dezembro de 2024, documentos nos quais reconhece ser o responsável pela gestão financeira do antigo escritório, pelas dívidas contraídas em nome dela e pela falta de repasse de valores aos clientes. Segundo a advogada, os documentos foram entregues às autoridades.
“Eu também sou vítima dessa mesma história. Eu tenho em meu poder todos os documentos assinados pelo meu pai, nos quais ele assume expressamente a responsabilidade pela gestão financeira do escritório, pelas dívidas contraídas em meu nome e pela falta de repasse aos clientes. Esses documentos já foram entregues às autoridades competentes.”
Thaís também afirma que rompeu a relação profissional com o pai depois de descobrir o que estava acontecendo e diz que está colaborando com as investigações.
“Desde que eu descobri o que estava acontecendo, eu rompi essa relação e procurei as autoridades, sempre apresentando todos os documentos que eu possuo. Eu sigo colaborando integralmente com todas as investigações.”
A advogada afirma ainda que pretende colaborar para que os clientes sejam ressarcidos e diz que não se beneficiou dos valores investigados. A Polícia Civil continua apurando o caso.
O advogado José Antônio Cremasco se manifestou por meio de nota. Segundo ele, entre 2022 e 2024 não tinha gestão financeira do escritório, que estaria sob responsabilidade da advogada Thaís Cremasco. Mesmo assim, diz ter continuado atendendo clientes e arcando com pagamentos de processos. Cremasco informou ainda que Thaís não mantém vínculo com a Advocacia Cremasco desde novembro de 2024 e que existe na Justiça uma ação de prestação de contas referente ao período. Ele sustenta que não há registro de clientes sem receber valores de processos desde 2025 ou antes de 2022.
A OAB SP informou por meio de nota que a advogada Thais Cremasco não integra mais o Conselho Secional da Ordem paulista e nunca foi conselheira de ética da entidade. Ela foi eleita conselheira secional em 2021 e renunciou ao cargo em 2026.
Quanto aos fatos noticiados, existem processos em trâmite no Tribunal de Ética e Disciplina, sob sigilo legal. Todos serão julgados, conforme o devido processo legal e terão decisões finais publicizadas.Os processos são sigilosos, não sendo possível informar sobre eventuais apurações ou sua instauração.
A CBN também questionou a Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público sobre o caso. A SSP respondeu que a Polícia Civil instaurou procedimento investigativo contra os suspeitos, por meio de inquérito policial que tramitam pelo 1º DP, 10º DP e 13º DP de Campinas. As autoridades policiais realizam diligências para esclarecer todas as circunstâncias dos fatos.
