O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulga nesta quinta-feira o relatório final sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo. O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024 e matou 62 pessoas.
Antes da divulgação pública, o documento será apresentado aos familiares das vítimas. Depois, às 17h, os investigadores concedem entrevista coletiva em Brasília para detalhar as conclusões do trabalho.
O relatório reúne o resultado de quase dois anos de investigação técnica para identificar os fatores que contribuíram para a queda do ATR 72-500 que fazia o voo entre Cascavel, no Paraná, e Guarulhos, na Grande São Paulo.
Durante a apuração, o Cenipa analisou as caixas-pretas da aeronave, reconstituiu o voo, examinou motores e sistemas de degelo, estudou as condições meteorológicas e avaliou registros de manutenção e documentos operacionais. Também foram feitas entrevistas com pilotos, mecânicos, despachantes e familiares dos tripulantes.
Os investigadores ainda analisaram mais de 15 mil voos realizados por aeronaves do mesmo modelo da frota da companhia, além de testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500.
Segundo o Cenipa, foram examinados componentes responsáveis pelo controle dos sistemas da aeronave e até as lâmpadas dos painéis para verificar quais estavam acesas nos momentos finais do voo.
Antes da divulgação, o relatório passou por revisão de órgãos internacionais. O documento foi analisado pela agência francesa responsável por investigações de acidentes aeronáuticos, já que o ATR foi desenvolvido na França, e também pelo órgão canadense ligado ao projeto dos motores da aeronave.
O Cenipa destacou que a investigação tem caráter preventivo. Por isso, o relatório não aponta culpados nem define responsabilidades civis ou criminais. O objetivo é identificar fatores contribuintes e emitir recomendações para aumentar a segurança da aviação.
Paralelamente, a Polícia Federal mantém uma investigação para apurar possíveis crimes relacionados ao acidente. O inquérito está em fase final e poderá ser encaminhado ao Ministério Público Federal após a conclusão.
As famílias das vítimas também aguardam o encerramento da apuração criminal para avançar com medidas judiciais relacionadas ao caso.
A queda ocorreu no quintal de uma residência em um condomínio de Vinhedo. As 62 pessoas que estavam a bordo morreram. Nenhum morador da casa atingida ficou ferido. O caso foi o acidente aéreo mais grave registrado no Brasil desde 2007.
