O custo da cesta básica voltou a subir em Campinas e pesa cada vez mais no orçamento das famílias. Em junho, o conjunto de alimentos essenciais teve alta de 1,91%, segundo levantamento do Observatório PUC-Campinas.
Com o reajuste, a cesta passou a custar R$ 902,12. Na prática, isso significa que o trabalhador precisa destinar 55,7% do salário mínimo, hoje em R$ 1.621, apenas para comprar os itens básicos de alimentação.
O principal responsável pela alta foi o feijão, que ficou quase 14% mais caro no mês. De acordo com o levantamento, a redução da oferta, provocada por problemas na safra e pelas condições climáticas, pressionou os preços, como explica o economista do observatório da PUC Campinas, Pedro Costa.
“A quebra de safra e os efeitos do clima reduziram a oferta de feijão, e isso se reflete diretamente no preço pago pelas famílias, que sentem esse impacto no dia a dia”.
Além do feijão, outros produtos também contribuíram para o aumento da cesta. A banana teve alta de 4,82%, enquanto o açúcar ficou 3,24% mais caro.
Por outro lado, alguns alimentos registraram queda nos preços e ajudaram a conter um avanço ainda maior. É o caso do arroz, que caiu 2,15%, e da farinha de trigo, com redução de 1,41%.
Mesmo com um reajuste mais moderado do que o registrado em maio, Campinas apresentou uma alta acima da observada nas principais capitais do Sudeste acompanhadas pelo Dieese. No país, 18 das 28 capitais pesquisadas também tiveram aumento no custo da cesta básica em junho.
No acumulado de 2026, a batata continua liderando as maiores altas, com aumento de mais de 95%. Na sequência aparecem o tomate, com quase 87%, o feijão, que acumula alta de 42%, e o leite, com quase 29%.
Já entre os produtos que ficaram mais baratos no ano estão a banana, o café e o açúcar.
Segundo o levantamento, o chamado salário mínimo necessário para garantir a compra de três cestas básicas já chega a R$ 2.706,36.
“O salário mínimo atual não cobre nem três cestas básicas, o que mostra a defasagem e a dificuldade de acesso à alimentação adequada para grande parte da população”.
Nos seis primeiros meses deste ano, a cesta básica acumula alta de 15,24% em Campinas. O índice é menor do que o registrado no Rio de Janeiro e em Vitória, mas supera os percentuais de Belo Horizonte e São Paulo.
Na comparação com os últimos 12 meses, o aumento chega a 11,35%, reforçando a pressão dos preços dos alimentos sobre o orçamento das famílias.
