Um estudo da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, revelou que a onça-parda consegue se adaptar para viver, se reproduzir e manter seu papel de predadora no topo da cadeia alimentar até mesmo em áreas agrícolas dominadas pelo cultivo de cana-de-açúcar.
Mas essa adaptação só é possível por causa da presença de matas ciliares, represas e brejos próximos às plantações. Essas áreas de vegetação nativa funcionam como abrigo e corredores de circulação tanto para as onças quanto para as presas.
A pesquisa foi realizada durante dois anos em Iracemápolis, município onde 76% do território é ocupado por canaviais.
Os pesquisadores registraram a presença de onças-pardas em todos os meses do estudo, tanto no período de safra quanto na entressafra, o que indica que os animais vivem de forma permanente na região. O levantamento também confirmou a reprodução da espécie no município e mostrou que mamíferos de porte médio evitam áreas onde a presença do felino é mais frequente.
Além das onças-pardas, outras 23 espécies foram identificadas nos locais monitorados, entre elas lobo-guará, jaguatirica, gato-do-mato, veado-catingueiro e tamanduá-bandeira.
O estudo também observou que as onças utilizam os canaviais para ampliar as oportunidades de caça. Nessas áreas, a alimentação é composta principalmente por pequenos roedores.
Em condições mais favoráveis, porém, a dieta da onça-parda inclui presas de maior porte, como catetos, veados, tapitis e capivaras, espécies menos comuns em regiões dominadas pela agricultura. Segundo os pesquisadores, essa mudança alimentar pode comprometer a sobrevivência da espécie a longo prazo.
Considerada uma espécie “guarda-chuva”, a onça-parda desempenha um papel importante na conservação da biodiversidade. Ao proteger os ambientes necessários para a sobrevivência desse felino, também são preservadas diversas outras espécies que compartilham o mesmo ecossistema.
Os pesquisadores reforçam a importância de manter a vegetação nativa em áreas agrícolas. E orientam que, caso uma pessoa encontre uma onça-parda, a recomendação é evitar movimentos bruscos e permitir que o animal se afaste naturalmente.
O estudo foi publicado no último dia 23, na Revista do Instituto Florestal, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq.
