Cerca de 25% dos consumidores acabam se endividando durante o inverno por causa do aumento dos gastos com medicamentos, roupas e agasalhos. É o que revela uma pesquisa realizada pelo Procon-SP em junho de 2026.
O levantamento aponta uma mudança no comportamento dos consumidores. Enquanto as despesas com itens essenciais aumentam, gastos com lazer, festas e viagens deixam de ser prioridade para boa parte da população.
Segundo o diretor executivo do Procon-SP, Luiz Orsatti, além da alta nos custos com saúde e vestuário, há uma redução significativa nas despesas com entretenimento durante os meses mais frios do ano.
A mudança de comportamento também foi percebida pelo comércio. Em Campinas, a empresária Roberta Lima, proprietária de um salão de beleza, decidiu ampliar o negócio e instalou uma loja de roupas dentro do próprio estabelecimento. Segundo ela, a estratégia tem impulsionado as vendas, principalmente no inverno.
Roberta conta que muitas clientes aproveitam o tempo no salão para conhecer as peças e acabam realizando compras no local. As mais procuradas são roupas versáteis, que podem ser usadas em diferentes ocasiões.
Os consumidores também sentem os impactos da estação no orçamento. O assistente administrativo Paulo Oliveira, que convive com tendinite crônica, afirma que as dores se intensificam no frio e, com isso, aumentam também os gastos com medicamentos.
Segundo ele, as despesas com remédios crescem entre 25% e 30% nesta época do ano, principalmente com corticoides e outros medicamentos usados para aliviar as inflamações.
A pesquisa do Procon-SP mostra ainda que o aumento das despesas com itens essenciais faz com que muitos consumidores reduzam gastos considerados não prioritários.
Apenas 29% dos entrevistados disseram manter o hábito de frequentar festas e eventos durante o inverno, com preferência por opções gratuitas. No turismo, menos de 15% afirmaram ter planos de viajar nesta época do ano.
Diante desse cenário, o Procon orienta os consumidores a pesquisar preços antes das compras, tanto em lojas físicas quanto pela internet, e manter um planejamento financeiro para evitar o endividamento.
Caso o consumidor encontre preços abusivos, problemas na entrega de produtos ou outras irregularidades nas relações de consumo, as reclamações podem ser registradas no portal oficial do Procon-SP.
