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Infrações por falta de capacete chegam a 209 no trânsito de Campinas

Dispositivo é fundamental para evitar ferimentos fatais; ausência pode resultar em multa gravíssima
CAPACETE
Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas

Já são 10 anos de experiência diária como entregadora sobre duas rodas, mas a motogirl Larissa Neves tomou um grande susto em 2021 ao sofrer um acidente.

Hoje, ela agradece pelo companheiro de jornada, que evitou que os ferimentos fossem ainda piores.

“Eu tomei 24 pontos, fiquei nove dias na UTI em coma. Só quebrou a viseira e meu erro foi estar usando o capacete aberto. Foi o que me salvou da pancada, senão eu nem estaria aqui”, conta.

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Mas os números mostram que o não uso do capacete de segurança ainda é uma infração praticamente diária no trânsito de Campinas.

Dados da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) mostram que 209 infrações pela ausência do dispositivo já foram emitidas em 2026, sendo 150 delas para condutores e 59 para garupas. No mesmo período do ano passado, haviam sido 222 casos. Em 2025, foram 342 flagrantes registrados ao longo do ano.

Os números também revelam que os motociclistas são as vítimas mais comuns do nosso trânsito. Das 15 mortes registradas em vias urbanas, entre janeiro e maio deste ano, 10 foram dos trabalhadores com motos. Destas, quatro foram causadas pela falta de capacete.

O especialista em Mobilidade Urbana, Luiz Vicente Figueira de Mello, alerta que a cabeça é uma das regiões que pode ser afetada por ferimentos graves em caso de acidente.

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“Os ferimentos mais graves se concentram na coluna, no tórax e na cabeça. O capacete, assim como o protetor de coluna e a jaqueta protetiva específica para o motociclista são vestimentas fundamentais, além do que a legislação exige que é o uso do capacete”, explica.

Vicente observa que a variedade de preços de capacetes determina o quanto ele pode ser capaz de proteger o motociclista.

“Nós temos no mercado capacetes que podem custar R$ 100 e outros que chegam a custar R$ 10.000. Esta diferença está relacionada exatamente à segurança da pessoa. Por mais que o Inmetro aprove esses dois tipos de capacete, nós ainda temos uma legislação que atende aquele capacete mais duro que pode afetar mais a cabeça das pessoas em uma determinada queda. E temos capacetes já com a certificação europeia que há uma deformação, e a forma como ela ocorre durante o impacto acaba presrvando mais”, orienta.

Não custa lembrar que a proteção do capacete também depende do uso correto.

Ainda segundo a Emdec, o uso inadequado já resultou em 345 infrações identificadas no trânsito de Campinas, em casos como falta de viseira ou óculos de proteção, viseira levantada, danificada ou óculos inadequados.

“O ideal é que seja sempre utilizado o capacete fechado, porque ele preserva mais a vida da pessoa em um acidente, principalmente no risco de bater o queixo e ter um dano na mandíbula. Eles acabam sendo mais seguros do que o capacete articulado, que também pode abrir dependendo do impacto”, recomenda.

Luiz Vicente também comenta que os capacetes do tipo “coquinho”, são proibidos para ciclomotores, motonetas e motocicletas, e orienta que o motociclista prefira sempre os dispositivos certificados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia).

Se você ainda não se convenceu de que o capacete é, sim, necessário, o motoboy Jerônimo da Silva tem um recado.

“A extrema importância é a segurança de sofrer um acidente e estar protegido. Ou, até mesmo, algo voar em direção enquanto se está na pista. É perigoso”, alerta.

O não uso do capacete é uma infração gravíssima, punida com multa de R$ 293,47 e possível suspensão do direito de dirigir.

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